Liao Dekai - QUANDO A CIÊNCIA ESTÁ AUSENTE, OS MITOS “CIENTÍFICOS” PROPAGAM-SE - Plataforma Media

Liao Dekai – QUANDO A CIÊNCIA ESTÁ AUSENTE, OS MITOS “CIENTÍFICOS” PROPAGAM-SE

 

A persistente névoa seca deve-se à “poluição da névoa nuclear”, depois de comer uma tigela de noodles instantâneos são precisos 32 dias para o corpo se desintoxicar, a radiação emitida pelos comboios de alta velocidade causa infertilidade nas mulheres e a água engarrafada depois de exposta ao sol já não pode ser bebida… estes são alguns dos rumores espalhados pela internet que com certeza muitos de nós já ouvimos. No entanto, todos eles foram mencionados na lista dos dez grandes “mitos científicos” de 2014 publicada há uns dias pela plataforma de desmistificação de rumores “py.qianlong.com”, pela Associação de Ciência e Tecnologia de Pequim, e pela Associação de Pequim de Jornalistas da Ciência e Tecnologia. Ou seja, é tudo mentira!

Estes boatos sensacionalistas, fazendo-se passar por “ciência”, envolvem coisas do dia-a-dia de toda a gente, causando angústia a muitas pessoas e confundindo as suas noções científicas no que diz respeito a matérias do quotidiano. O grande problema é que os mitos científicos não se ficam por estes dez, havendo ainda outros tais como a “SIDA das bananas” ou as “melancias injetadas com aditivos”. Estes mitos invadem a nossa sociedade chegando a causar grandes perdas económicas e a prejudicar injustamente as indústrias afetadas. Na minha opinião, para eliminar estes mitos científicos é preciso mobilizar a força de toda a sociedade para os combater.

O mais assustador e terrível nestes mitos é o facto de se fazerem passar por ciência. Muitas pessoas têm poucos conhecimentos científicos e uma capacidade de discernimento limitada, dando origem à mentalidade problemática de que “mais vale acreditar do que ignorar”, sem verificar as origens do assunto ou questionar o seu resultado. E a mentalidade paranoica das populações, gerada pela mentalidade de rebanho, é precisamente o ambiente ideal para a propagação dos mitos científicos, auxiliados pela força aglomerante da Internet que agrava os seus efeitos. Desta forma, os mitos científicos propagam-se fácil e rapidamente com um efeito viral.

De acordo com as características de formação e propagação dos mitos científicos, para conseguir travá-los e eliminá-los é necessário criar a nível social sistemas de educação científica para os combater. Mais concretamente, deve haver um reforço da educação científica nas escolas, um desenvolvimento da cultura científica da população, uma rápida desmistificação dos rumores por parte dos especialistas e a intervenção atempada por parte da lei.

Quanto à educação, o ensino da ciência nas escolas é a base para o combate aos mitos. Na Internet, os propagadores e criadores dos mitos são muitas vezes estudantes. Isto prova que na situação atual o ensino científico ainda tem muito para melhorar. Se as escolas se empenharem no ensino científico dos alunos estarão a reforçar as bases da sociedade na defesa contra este tipo de rumores. Nos dias de hoje, os pais muitas vezes têm confiança nos conhecimentos dos filhos, e no campo da ciência estão dispostos a aprender com eles. Com o aumento dos conhecimentos científicos dos alunos, os conhecimentos dos pais também poderão aumentar. A “mão pequena” pode levar a “mão grande” e surtir um efeito especial.

Quanto ao conhecimento, a cultura científica da população é fundamental. A razão da abundância destes mitos é essencialmente a falta de conhecimentos científicos das pessoas. Não existindo uma mentalidade científica de refletir e questionar, as pessoas acreditarão mais facilmente nestes rumores. A minha sugestão seria a criação de um forte ambiente científico em toda a sociedade, particularmente fazendo uso dos meios de comunicação, transmitindo duma maneira atrativa e interessante informação sobre questões científicas ligadas ao quotidiano. Assim, o público desenvolveria os seus conhecimentos científicos e o hábito de perguntar sempre “porquê”, para evitar o embaraço de acreditar em rumores falsos.

Quanto aos especialistas, no processo de propagação de um mito científico ocorre um fenómeno estranho: durante a fase inicial, é raro ver algum especialista vir desmistificar o mito. Alguns especialistas acham que não vale a pena responder a algumas questões simples que veem surgir. Não gostam de se envolver com rumores científicos pois temem assim perder credibilidade. No entanto, no combate aos mitos a intervenção oportuna dos especialistas é absolutamente necessária. Para combater um mito científico é necessário usar a verdadeira ciência. Na realidade, esta é uma oportunidade para os especialistas de interagir com o público em geral e assim formar uma imagem positiva. Para além disso, aproveitar esta oportunidade de oferecer um serviço de ciência popular também pode ser útil para descredibilizar alguns falsos especialistas.

Quanto à responsabilidade, aqui a palavra representa dois aspetos. Primeiro, em relação àqueles que usam a Internet, todos devem ter um sentido de responsabilidade. Alguns mitos talvez sejam apenas obra de cibernautas que decidem cometer atos maliciosos nas horas aborrecidas, atos esses que poderão causar graves danos e prejuízos. Antes de cometer este tipo de atos, os cibernautas devem avaliar as possíveis consequências das suas ações. Quanto aos restantes cibernautas, especialmente as personalidades mais influentes, devem no que diz respeito a factos científicos do quotidiano verificar sempre a sua fonte e só depois partilhar. Num outro aspeto, a lei deve lidar atempadamente com estas questões, punindo devidamente aqueles que causam grandes estragos com os seus rumores e assim cortando o mal pela raiz.

Em suma, a origem, propagação e perigo dos mitos científicos envolve complexos fatores sociais, educacionais e psicológicos. De acordo com estes fatores, com um sistema científico de eliminação deste tipo de rumores, fazendo com que as sementes da verdadeira ciência germinem na sociedade e se espalhem, haverá cada vez menos solo fértil para os mitos científicos.

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