PROFISSÃO E INADAPTAÇÃO A PORTUGAL TROUXE ANGOLANOS A MACAU - Plataforma Media

PROFISSÃO E INADAPTAÇÃO A PORTUGAL TROUXE ANGOLANOS A MACAU

 

É uma comunidade pequena, que não deverá ultrapassar as 50 pessoas, e que veio para Macau sobretudo por razões profissionais. A comunidade angolana do território, instalada em Macau há várias décadas, conta também com um grupo de empresários de “sucesso”, diz o Presidente da Associação Angola-Macau em entrevista ao Plataforma Macau. Alexandre Correia da Silva acredita, porém, que o posicionamento das empresas angolanas na China continental “não é fácil”. É necessária “capacidade financeira e alguma dimensão para o fazer”.

 

PLATAFORMA MACAU Que perfil traça da comunidade angolana em Macau? 

ALEXANDRE CORREIA DA SILVA – Em Macau, temos diplomatas, temos um pequeno grupo de estudantes no âmbito das bolsas que são concedidas pela Fundação Macau e temos pessoas que estão aqui na sua atividade profissional: uns são advogados, engenheiros, outros são trabalhadores por conta de outrem, Digamos que há vários tipos de pessoas, mas são essencialmente estes três grupos. Se eu lhe disser que, contando com os naturais de Angola, chegamos aos 50, então somos muitos.

 

P.M. Quando é que esta comunidade começou a chegar a Macau?

A.C.S. – Há muitos anos. Em Macau, vivem naturais de Angola que não são angolanos e que vieram após o período da descolonização. Temos também alguns angolanos que vieram também por volta dessa época, por isso este já é um processo antigo. Vivem angolanos em Macau há muitos anos. Por exemplo, eu cheguei em 1979.

 

P.M. E o que trouxe esta comunidade ao território?

A.C.S. – Várias razões. Uns vieram por questões de inadaptação a Portugal, após o período de descolonização. Outros vieram por razões profissionais, que é o meu caso. Vim para trabalhar para o Estado. Outros vieram temporariamente para tirar os seus cursos universitários. Mas, a maior parte está aqui por razões de natureza profissional.

 

P.M. E a instabilidade política em Angola contribuição para a vinda de angolanos para Macau?

A.C.S. – O facto de haver uma guerra civil também retirou muita gente do país. Quando lhe falo da descolonização, falo de todo esse processo violento que houve até ao fim da guerra. Muitas pessoas não se sentiram seguras. Uns foram para Portugal, não se adaptaram e vieram para Macau.

 

P.M. Em 1999, como reagiu a comunidade à transferência de soberania? Manteve-se em Macau?

A.C.S. – Claro, a maior parte das pessoas manteve-se após o retorno de Macau à China. Não houve alterações que levassem as pessoas a abandonar Macau.

 

P.M. O que motivou a fundação da Associação Angola-Macau?

A.C.S. – A associação teve um período muito ativo quando o nosso número de estudantes era significativo aqui em Macau. Ela foi criada essencialmente para dar apoio e para ajudar à integração da nossa população estudantil. Aderiram depois uma série de pessoas à associação e grande parte fê-lo por razões sentimentais. Foi essa a razão para nos juntarmos.

Quem vive ou viveu em Angola ou noutras colónias portuguesas em África ficou sempre afetivamente ligado e por isso houve adesões por razões de afeto. Mas sabe, os afetos também acabam porque a imagem que as pessoas tinham de Angola é a imagem antiga, não é a imagem do que é Angola agora. Então, há uma população móvel dentro da associação.

 

P.M. Neste quadro de relações cada vez mais próximas entre a China e Angola, que papel é que acha que Macau pode desempenhar neste relacionamento bilateral?

A.C.S. – Penso que Macau tem um papel muito importante. Existe o Fórum Macau (Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa), que desempenha algumas destas atividades. Uma coisa é Macau enquanto região administrativa e com uma política relativamente aos países de língua portuguesa, outra coisa é a população de Macau e os empresários de Macau. Se me perguntar do ponto de vista político qual é o papel de Macau, penso que ele está bem definido quer pelas autoridades do Governo Central, quer pelas autoridades locais em matéria da política e do papel que Macau tem no âmbito do Fórum nas relações com Angola e os outros países de língua portuguesa. Do ponto de vista das relações empresariais, eu penso que os empresários de Macau não têm capacidade nem interesse propriamente em África.

 

P.M. No seio dessa comunidade angolana em Macau, existem empresários?

A.C.S. – Existem pessoas que estão aqui e que são empresários em Macau, que têm e dirigem as suas empresas.

 

P.M. E têm interesse em posicionar-se na China? 

A.C.S. – Estão posicionados em Macau. Posicionar-se na China hoje em dia não é fácil. É preciso alguma capacidade financeira e alguma dimensão para o fazer. Mas há empresários que são angolanos e que estão cá, são homens de sucesso têm as suas empresas e funcionam. Há quantos anos é que se houve falar que as empresas portuguesas vão para a China? Já deve ter ouvido falar das centenas de delegações governamentais que vêm e das centenas de empresários que comparecem. Não sei o que é que os seus dados dizem sobre a implementação de empresas portuguesas na China, mas não é fácil.

 

Catarina Domingues

 

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