LUPICÍNIO RODRIGUES, O MÚSICO DA “DOR DE COTOVELO” - Plataforma Media

LUPICÍNIO RODRIGUES, O MÚSICO DA “DOR DE COTOVELO”

 

Lupicínio Rodrigues, Lupe, cantor e compositor brasileiro de marchinhas de carnaval e sambas-canção, faria completado  100 anos no dia 19 de setembro. Melodramático e boémio, Lupe Ficou também conhecido por ser o alegado inventor da expressão “dor de cotovelo”.

 

Nascido em Porto Alegre, o cantor e compositor inspirou a peça “Lupi, o Musical: Uma Vida em Estado de Paixão”, do dramaturgo Artur José Pinto, que este mês voltou a ser apresentada na sua cidade natal.

O musical desfaz alguns mitos e revela curiosidades sobre o cantor, evocadas pelo dramaturgo.

 

A dor de cotovelo: “A cada experiência amorosa, ele fazia música para sublimar a dor. Mas acho que essa história de dor de cotovelo foi uma escolha bastante profissional, nem tanto de catarse artística. Porque ele viu que fazia sucesso, as pessoas gostavam e compravam, e ele se firmou no gênero. Música de dor de cotovelo era muito bem aceita, as pessoas curtiam”.

 

Boémio, ma non troppo: “Ele só era boémio de segunda a sexta, no fim de semana gostava de reunir a família, fazer churrasco, cozinhar para os amigos.

 

Trela curta: “Quando ia para a noite, Lupicínio tinha uma carta de alforria da mulher até as 4h da manhã. Se chegasse às 4h01min, a casa caía. Então, ele tinha uma rotina: chegava em casa pontualmente às 4h, tomava uma sopinha e ia deitar. Perto do meio dia, acordava e ia cozinhar. Almoçava, tirava uma sesta e, pelas 15h, começava o ritual: vestia o melhor terno e saía.

 

Ostracisado..: Na década de 1960, ele foi quase ao ostracismo, sofreu muito com a invasão da jovem guarda, do rock, da tropicália, da bossa nova. O género em que ele compunha ficou em segundo plano, principalmente em Porto Alegre. Ele foi voltar só depois, nos anos 1970.

 

…mas salvo por Caetano: Uma vez, ele encontrou Caetano num bar aqui em Porto Alegre. Caetano saiu de um show todo maquiado e a gauchada ficou com o pé um pouco atrás. Baiano, de batom, não foi bem recebido. Mas Lupi o acolheu, eles ficaram uma madrugada inteira conversando. Caetano gravou Felicidade. Foi um marco, porque depois ele começou a ser gravado por Bethânia, Gal, Jamelão, Elza Soares, Elis Regina. Ele acabou voltando. Quando morreu, em 1974, estava no auge de novo.

 

Maus negócios:  “ Lupicínio ia de bar em bar e aproveitava para dar uma canja, cantava um pouquinho, e os fãs iam de bar em bar com ele. E acabavam não indo no bar dele! Por essas, que ele faliu algumas vezes…”

 

Um negro contra o racismo: Ele costumava ir ao restaurante de um português em Porto Alegre. Certo dia, o garçom se recusou a atendê-lo, informou que o dono não queria mais receber negros. Lupicínio protestou, chamou a polícia e citou a lei Afonso Arinos (assinada por Getúlio Vargas em 1951, que proíbe a discriminação racial no Brasil), que tinha sido aprovada havia pouco. Isso foi interessante, porque era quase inédito um negro protestar dessa maneira, como também era muito difícil que um delegado acatasse a queixa. O dono do restaurante foi citado judicialmente, respondeu em processo. E a vingança do Lupi foi ir em um outro restaurante do mesmo dono, para ser servido por ele.

 

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