A deslocação aconteceu entre 19 e 25 de julho e juntou oito influencers portugueses: Rute Obadia, Tiago Sousa (conhecido como “TVDE do Tuga”), Andreia de Sousa Viegas, Rute Sousa, Romeu Monteiro, Bruna Fortunato e Filipe M. Vilarinho. A viagem incluiu transporte, alojamento e alimentação oferecidos, com os participantes a visitarem Jerusalém, o recinto do Festival Nova — palco de um dos ataques de 7 de outubro de 2023 — o kibutz Nir Oz e túneis em Gaza.
As imagens publicadas pelos criadores nas redes sociais, com fotografias em locais associados ao conflito, provocaram uma onda de reações. Para alguns críticos, a iniciativa representa uma estratégia de diplomacia pública israelita, destinada a melhorar a perceção internacional do país através de vozes com ligação direta a audiências jovens.
O caso ganhou maior dimensão depois de Kiko is Hot revelar que recusou um convite semelhante. O influenciador afirmou que via estas iniciativas como uma forma de “limpar a imagem” de Israel num momento de forte contestação internacional devido à guerra em Gaza.
Nas redes sociais, vários utilizadores questionaram a escolha dos convidados e defenderam que uma viagem organizada e financiada por um governo estrangeiro pode condicionar a perceção dos participantes, mesmo que não exista pagamento direto pela produção de conteúdos.
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A polémica não é exclusiva de Portugal. Nos últimos anos, vários países têm sido palco de debates semelhantes sobre viagens de influenciadores promovidas por governos, organizações ou entidades ligadas a interesses políticos, com críticos a argumentarem que o entretenimento e o turismo podem ser usados como ferramentas de comunicação estratégica.
Do lado dos participantes, a resposta tem sido a defesa da independência dos conteúdos publicados. Rute Sousa esclareceu que a viagem não incluiu remuneração pela criação de conteúdos e garantiu que não recebeu instruções sobre o que deveria publicar. A influenciadora afirmou que viu a deslocação como uma oportunidade para conhecer diretamente a realidade israelita e recolher informação relacionada com temas como radicalização e terrorismo.
A criadora revelou ainda ter sido alvo de ameaças após a divulgação dos conteúdos, interpretando algumas das reações como manifestações de ódio.