Vários alunos que realizaram os exames nacionais deslocaram-se esta sexta-feira às respetivas escolas para consultar as classificações, mas encontraram as pautas por afixar devido aos atrasos na divulgação dos resultados dos exames. Entre os estudantes ouvidos, muitos admitem pedir a consulta das provas assim que conhecerem as notas, na sequência dos problemas técnicos registados no processo de correção.
Na Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, alguns alunos entravam e saíam do estabelecimento de ensino na expectativa de que as classificações fossem publicadas, mas sem qualquer indicação sobre a hora em que isso poderia acontecer. Outros optaram por permanecer junto à escola, aguardando à sombra devido às elevadas temperaturas.
Guilherme Trabulo, aluno de 18 anos do curso de Ciências e Tecnologias, deslocou-se à escola para conhecer os resultados dos exames de Matemática e Português do 12.º ano, mas acabou por regressar a casa sem qualquer informação.
“A primeira coisa que vou fazer é pedir a consulta das provas, depois de ver as notas”, afirmou à Lusa, explicando que a sua principal preocupação é garantir que as classificações refletem corretamente o desempenho nos exames. Apesar de não pretender realizar a segunda fase, admite que o atraso na divulgação dos resultados possa vir a prejudicá-lo.
Leia mais: Milhares de alunos conhecem hoje as notas dos exames nacionais após processo marcado por atrasos
Também Eduardo Carrancho, de 18 anos, reconheceu que o adiamento da publicação das pautas tornou todo o processo mais desgastante. Embora considere que o atraso não o afetou diretamente, afirmou que a incerteza aumentou o nível de ansiedade entre os alunos e revelou igualmente a intenção de solicitar a consulta da prova assim que tiver acesso à classificação.
Funcionários da Escola Secundária D. Filipa de Lencastre indicaram que a direção esteve grande parte do dia em reuniões relacionadas com a situação, enquanto, noutras escolas da capital, como a Secundária José Gomes Ferreira e a D. Pedro V, as pautas continuavam por afixar entre as 14h00 e as 15h30.
Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos em formato digital. O processo ficou marcado por diversos constrangimentos técnicos, que levaram o Ministério da Educação a adiar em quatro dias o calendário inicialmente previsto para a divulgação das classificações.
Apesar dos atrasos, o ministro da Educação garantiu que não será necessário alterar o calendário do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, assegurando que existem condições para que as pautas dos exames nacionais sejam publicadas até ao final do dia.