Israel e o Líbano concluíram, na quarta-feira (15), dois dias de negociações mediadas pelos Estados Unidos, em Roma, registando progressos na implementação do acordo-quadro alcançado no mês passado, embora persistam divergências políticas e de segurança.
As negociações, realizadas na embaixada dos Estados Unidos na capital italiana, marcaram a sexta ronda de contactos diretos entre as duas partes desde o recomeço dos combates no início deste ano.
O que foi alcançado?
As conversações centraram-se na implementação do acordo-quadro alcançado em Washington, a 26 de junho. As duas partes acordaram o enquadramento para o lançamento de duas «zonas-piloto» no sul do Líbano, onde as tropas israelitas se retirariam gradualmente, entregando o controlo às Forças Armadas Libanesas (LAF), segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação social. Ficou igualmente acordada a continuação das negociações numa futura ronda.
A agência italiana Agenzia Nova noticiou que as discussões esclareceram a sequência da retirada das tropas israelitas, o destacamento do Exército libanês, o desarmamento do Hezbollah e os mecanismos de verificação para garantir que as áreas transferidas permanecem sob controlo efetivo do Estado libanês.
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As zonas-piloto destinam-se a testar a capacidade do Exército libanês para estabelecer um controlo duradouro antes de o mecanismo ser alargado a outras regiões do sul do Líbano.
Porquê agora?
As negociações em Roma inserem-se nos esforços diplomáticos mais amplos para reduzir as tensões após a retoma dos confrontos entre Israel e o Hezbollah.
O acordo-quadro mediado pelos Estados Unidos, alcançado a 26 de junho, prevê a retirada gradual das forças israelitas de partes do sul do Líbano, o destacamento do Exército libanês e o desarmamento dos grupos armados, numa referência amplamente entendida como dirigida ao Hezbollah.
No entanto, subsistem divergências significativas. Israel afirma que a sua retirada depende de garantias verificáveis de que o Hezbollah não regressará às áreas em causa, enquanto o Hezbollah insiste que Israel deve primeiro concluir a retirada do território libanês.

Um familiar da vítima é visto no local de um ataque com drones israelitas em Nabatieh al-Fawqa, no sul do Líbano, a 7 de julho de 2026. (Foto: Xinhua)
Os diplomatas consideram o mecanismo das zonas-piloto uma medida gradual de criação de confiança, e não um acordo político abrangente. Se for bem-sucedido, poderá servir de modelo para expandir a retirada israelita e o destacamento do Exército libanês a outras zonas do sul do país.
Porquê Roma?
Embora as negociações tenham sido mediadas pelos Estados Unidos e realizadas na embaixada norte-americana, foi a Itália que se ofereceu para acolher as conversações.
O vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, afirmou que o papel de Roma reflete o compromisso italiano com os esforços de paz no Médio Oriente.
Os analistas sublinham que a Itália mantém relações de trabalho tanto com Israel como com o Líbano e é o maior contribuinte europeu para a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
Roma é vista por ambas as partes como um local fiável e politicamente aceitável para acolher as negociações, refletindo o envolvimento de longa data da Itália no Líbano e o seu papel no apoio à estabilidade regional, segundo a Agenzia Nova.
O que se segue?
A próxima fase centrar-se-á na implementação do plano das zonas-piloto e em determinar se o acordo-quadro pode ser aplicado no terreno.
As duas partes concordaram em prosseguir as negociações numa nova ronda, enquanto a implementação das duas primeiras zonas-piloto deverá servir de modelo para alargar o mecanismo a outras áreas do sul do Líbano, caso a fase inicial seja bem-sucedida, Segundo a Agenzia Nova.
Os analistas consideram que o sucesso das zonas-piloto será um teste decisivo. Se o Exército libanês conseguir assegurar de forma eficaz as áreas transferidas, desmantelar infra-estruturas militares e impedir o Hezbollah de restabelecer a sua presença, o mecanismo poderá ser gradualmente estendido a outras partes do sul do Líbano.
Contudo, como Israel continua a condicionar uma retirada mais ampla ao desarmamento do Hezbollah e o movimento xiita mantém a rejeição dessa condição, os diplomatas esperam que as negociações avancem de forma gradual, em vez de conduzirem a um acordo abrangente num futuro próximo.