Em 2020, a corrida pela inteligência artificial estava ainda concentrada sobretudo no desenvolvimento de investigação e aplicações empresariais. Nos Estados Unidos, empresas como a OpenAI, Google, Microsoft, Meta e Nvidia aceleravam o desenvolvimento de sistemas avançados, enquanto a China procurava transformar a investigação em aplicações industriais através de empresas como Baidu, Alibaba, Tencent e Huawei.
A chegada da inteligência artificial generativa alterou o ritmo da competição. O lançamento do ChatGPT, no final de 2022, tornou os modelos capazes de criar texto, imagens e código numa tecnologia de utilização massificada e levou empresas e governos a tratar a IA como uma área estratégica.
Nos Estados Unidos, a vantagem tem sido sustentada por um ecossistema tecnológico consolidado, forte investimento privado e liderança na produção de semicondutores avançados. Os Estados Unidos continuam a liderar o desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial mais avançados, sobretudo devido à concentração de empresas e investimento, segundo o AI Index Report 2025, do Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence.
O mesmo relatório aponta, contudo, para uma redução da diferença de desempenho entre modelos norte-americanos e chineses.
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A China adotou uma estratégia diferente, colocando a inteligência artificial como prioridade nacional. Pequim definiu o objetivo de se tornar líder mundial no setor até 2030 e tem apoiado o desenvolvimento de modelos próprios, infraestruturas nacionais e aplicações industriais da tecnologia. O país beneficia ainda de uma enorme base de dados e de um forte setor industrial capaz de integrar soluções de IA em áreas como produção, transportes e serviços públicos.
A disputa passou rapidamente dos algoritmos para os semicondutores. O treino dos modelos mais avançados depende de processadores especializados, onde empresas norte-americanas, sobretudo a Nvidia, mantêm uma posição dominante. Em 2022, Washington impôs restrições à exportação para a China de determinados chips avançados e equipamentos de fabrico de semicondutores, alegando preocupações de segurança nacional.
As limitações levaram Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais. Empresas chinesas passaram a investir mais em semicondutores próprios e em métodos de desenvolvimento de IA que exigem menos capacidade computacional.
O caso da DeepSeek, que ganhou destaque internacional com modelos apresentados como competitivos a custos inferiores aos de alguns sistemas ocidentais, reforçou a ideia de que a eficiência tecnológica pode reduzir parte da vantagem norte-americana.
Apesar destes avanços, a China continua condicionada pelo acesso limitado a chips de última geração e às tecnologias necessárias para os produzir. O controlo sobre a cadeia dos semicondutores permanece uma das principais vantagens estratégicas dos Estados Unidos e dos seus aliados.
A competição também se estendeu aos modelos abertos, aos centros de dados e à capacidade de criar ecossistemas tecnológicos. A liderança em inteligência artificial deixou de depender apenas de quem desenvolve o modelo mais poderoso, mas também de quem controla a infraestrutura necessária para o treinar, distribuir e aplicar.
Para Washington, o desafio é preservar a liderança científica e empresarial sem permitir que tecnologias estratégicas reforcem capacidades chinesas. Para Pequim, a prioridade é reduzir a dependência externa e construir uma cadeia tecnológica mais autónoma.
A evolução dos últimos cinco anos mostra que a corrida pela inteligência artificial é uma disputa mais ampla pelo controlo da economia digital. Os Estados Unidos mantêm uma vantagem em áreas fundamentais, como semicondutores avançados e investimento privado, mas a China reduziu a distância em vários segmentos e transformou a IA numa das prioridades centrais da sua estratégia industrial.