O Presidente cabo-verdiano vai condecorar a seleção nacional de futebol com a mais alta distinção do Estado pelo resultado no Mundial 2026, considerando o desempenho como um recomeço e um redimensionamento do país.
“Nós fizemos a condecoração antes da partida porque tínhamos confiança nesta equipa e, agora no regresso, vamos atribuir a Medalha Amílcar Cabral à seleção cabo-verdiana de futebol. Os Tubarões Azuis merecem o primeiro grau e, por isso, vão ser condecorados pelo Estado de Cabo Verde”, afirmou José Maria Neves na cidade da Praia, numa cerimónia de receção à equipa após a participação no Mundial 2026.
O Presidente destacou que o momento coincide com o 51.º aniversário da independência nacional, assinalado em 5 de julho, considerando que “não há coincidências na história de um país” e defendendo que Cabo Verde nasceu para ser “um país vencedor”.
“Vencemos as dúvidas, vencemos as improbabilidades e conseguimos construir um Cabo Verde respeitado no mundo”, disse. O Chefe de Estado defendeu que o desempenho da seleção deve ser entendido como um recomeço e um redimensionamento do país, considerando que Cabo Verde deve retirar lições do percurso da equipa para outros setores da sociedade.
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Acrescentou ainda que essa experiência deve ser analisada com o selecionador Bubista, o dirigente Mário Semedo e outros responsáveis técnicos, para identificar a “gramática” do sucesso e aplicá-la em áreas como a saúde, a educação, a administração pública e o desenvolvimento empresarial.
“É esta nova linguagem que teremos de utilizar, redimensionando Cabo Verde como uma nação diaspórica e um Estado transnacional”, disse.
O Presidente sublinhou ainda que a seleção teve um papel decisivo na união dos cabo-verdianos residentes no país e na diáspora, destacando a mobilização popular durante a competição.
Destacou igualmente a projeção internacional alcançada por Cabo Verde, referindo mensagens de Chefes de Estado e uma carta de um deputado uruguaio que manifestou o desejo de visitar o país e obter uma camisola da seleção nacional.
Em maio, o Presidente atribuiu condecorações a jogadores, técnicos, dirigentes e instituições ligadas ao futebol nacional, distinguindo-os com a Ordem do Dragoeiro, primeiro grau, e com medalhas de mérito de várias classes.
A seleção cabo-verdiana regressou hoje (6) ao país após uma campanha histórica no Mundial de Futebol 2026, a primeira participação de sempre numa fase final da competição.
Na fase de grupos, empatou com Espanha (0-0), Uruguai (2-2) e Arábia Saudita (0-0), garantindo o apuramento para os dezasseis-avos de final.
Na fase seguinte, foi eliminada pela campeã mundial Argentina, por 3-2 após prolongamento, numa prestação que lhe valeu reconhecimento internacional.
O regresso foi marcado por uma receção popular no Aeroporto Internacional Nelson Mandela e por um percurso pelas ruas da Praia, com milhares de pessoas a saudar os jogadores.