O mercado imobiliário de Macau registou o preço médio por metro quadrado mais baixo em 13 anos no segundo trimestre deste ano, segundo dados publicados esta quinta-feira (2) pela agência imobiliária Centaline Property.
O preço médio por metro quadrado para imóveis residenciais atingiu os 68.000 dólares de Hong Kong (7.820 euros), uma queda de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um relatório de mercado divulgado pela Centaline Macau e Hengqin.
Depois de ter atingido um pico de 72.634 dólares de Hong Kong (8.110 euros) no primeiro trimestre, a agência apontou que o valor caiu para 68.000 dólares de Hong Kong (7.600 euros) no segundo trimestre.
A Centaline estima que 2.097 unidades residenciais tenham mudado de proprietário nos primeiros seis meses do ano, representando um aumento de cerca de 50% em comparação com o mesmo período de 2025.
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No entanto, no mesmo relatório destaca-se que a recuperação do mercado revelou-se de curta duração, com os volumes de transações a contraírem-se acentuadamente no segundo trimestre, depois de os compradores terem corrido a aproveitar uma isenção fiscal introduzida pelas autoridades do território no início do ano.
“O poder de compra acumulado durante a crise foi em grande parte libertado nos dois primeiros trimestres, e o efeito de estímulo está agora visivelmente a enfraquecer”, afirmou no relatório Roy Ho, diretor da Centaline Macau e Zhuhai Hengqin.
A Centaline apontou que o segmento residencial mostra sinais claros de correção, com os preços a chegarem a 5.500 dólares de Hong Kong (632 euros) por metro quadrado em empreendimentos de referência como o One Central, um mínimo histórico.
O mercado de luxo também sofreu, com apenas seis transações acima de 15 milhões de dólares de Hong Kong (1,72 milhões de euros) no segundo trimestre, uma queda de 40% em termos homólogos.
No setor comercial, as lojas em zonas turísticas mantiveram procura, com rendimentos superiores a 4.3%, mas os bairros residenciais registaram aumento das taxas de desocupação.
Stanley Poon, diretor-geral da Centaline Macau e Zhuhai Hengqin, alertou para um ambiente “relativamente pessimista” da indústria imobiliária local, com bancos a endurecerem a concessão de crédito e a possibilidade de novas subidas das taxas de juro nos EUA.
Ainda assim, destacou que o segmento de luxo pode resistir melhor à tendência negativa, com investidores tradicionais a procurar “vivendas e grandes unidades a preços baixos” como refúgio seguro.
No interior da China, a Centaline reportou que o índice do imobiliário da Grande Baía subiu pelo quarto mês consecutivo em maio, registando um aumento de 2.3% no período, atingindo um máximo de dez meses.
A cidade vizinha de Zhuhai registou 5.360 transações no segundo trimestre, uma quebra de 14% em relação ao trimestre anterior, com os preços médios a caírem 3%, para 18.150 yuans (2.300 euros) por metro quadrado.
A nível nacional, a agência destacou que o mercado imobiliário nos maiores centros urbanos da China continuou a “mostrar resiliência”, com os preços das novas habitações a subirem pelo terceiro mês consecutivo em maio, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas.
As transações de habitações usadas em Pequim atingiram um máximo de cinco anos para o mês, enquanto Xangai registou o seu melhor mês de maio em seis anos.