Um senador filipino pró-Duterte foi acusado hoje (3) de corrupção, de acordo com documentos divulgados pelo Provedor de Justiça do país, poucos dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte.
Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga.
Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que tem início na segunda-feira.
As acusações contra o senador Rodante Marcoleta, indiciado na sexta-feira, incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança.
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“As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”. Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos.
Na terça-feira, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital.
No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projetos falsos de combate às inundações.
Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se atualmente em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte.
Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.