Início » Brasil critica novas tarifas da UE sobre o aço. O que muda para as exportações brasileiras

Brasil critica novas tarifas da UE sobre o aço. O que muda para as exportações brasileiras

O Brasil contestou as novas restrições impostas pela União Europeia às importações de produtos siderúrgicos, classificando-as como uma medida unilateral. Apesar da divergência, Brasília mantém as negociações abertas, numa altura em que persistem desacordos sobre as compensações previstas pelas regras do comércio internacional

Lusa

O Governo brasileiro lamentou hoje (2) a decisão da União Europeia (UE) de impor novas restrições quantitativas e elevar as tarifas aduaneiras extraquota para produtos siderúrgicos, classificando a medida como unilateral e prejudicial ao comércio.

“O sistema de quotas implementado hoje pela União Europeia constitui medida unilateral e não configura instrumento de compensação do ponto de vista do Governo brasileiro”, informa nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Ainda assim, Brasília afirmou que pretende manter as negociações com o bloco europeu para buscar uma solução “aceitável e mutuamente benéfica”.

Até ao momento, segundo o governo brasileiro, o país e a União Europeia não chegaram a um acordo sobre compensações pela elevação das tarifas, conforme previsto no Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio.

Leia também: Brasil e São Tomé disputam entrada na lista da UNESCO. O que está em jogo nas candidaturas lusófonas

A nota afirma que as novas regras reduzem ainda mais o acesso de produtos siderúrgicos ao mercado europeu mesmo após o fim da salvaguarda adotada pela UE em 2018 e atingem a maioria dos parceiros comerciais do bloco.

O governo brasileiro alega que também é afetado pelo excesso de capacidade global no setor siderúrgico e reiterou que continua a defender soluções multilaterais para o problema, especialmente no âmbito do Fórum Global sobre Excesso de Capacidade Siderúrgica.

Na avaliação de Brasília, impor restrições comerciais a países que não são responsáveis pelo excesso de produção mundial não contribui para resolver a questão e pode provocar uma escalada de medidas de defesa comercial.

“A imposição de medidas de restrição comercial a países que não são a causa do problema não contribui para a busca de solução efetiva e pode levar a uma escalada de medidas de defesa comercial”, leia-se no comunicado.

O novo regulamento de tarifas sobre importação de aço entrou em vigor para proteger a indústria da UE dos impactos do excesso de produção global, substituindo as medidas de salvaguarda que expiram hoje.

A medida, segundo a Comissão Europeia, reduz as importações isentas de direitos de 26 categorias de produtos de aço para a UE em 47%, em média, face aos contingentes previstos nas medidas de salvaguarda sobre o aço.

A partir de hoje será permitida a entrada na UE de um total de 18,3 milhões de toneladas de aço isentas de direitos por ano, assegurando que os países com quem a UE tem acordos de comércio livre são favorecidos com metade da quota anual da UE (9,15 milhões), ficando a outra metade disponível para todos os parceiros comerciais sem discriminação, incluindo os de livre comércio.

A UE chegou a acordos de princípio sobre os contingentes pautais aplicáveis ao aço com 13 parceiros: Turquia, Coreia, Indonésia, Egito, Brasil, Reino Unido, Suíça, Macedónia do Norte, África do Sul, Argentina, Ucrânia, Singapura e Índia, segundo fonte comunitária.

As importações fora de contingente estarão sujeitas a uma tarifa de 50% e as novas regras têm como meta “garantir a viabilidade a longo prazo de uma indústria europeia estrategicamente crucial”, segundo um comunicado da UE.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website