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Calor extremo coloca Portugal em alerta vermelho. Duração da vaga aumenta riscos para a saúde

Lisboa e outras regiões de Portugal entram em alerta vermelho numa vaga de calor que já bateu recordes em vários países europeus. As autoridades admitem que a duração do episódio poderá agravar os riscos para a população, enquanto os cientistas associam o fenómeno às alterações climáticas

AFP

Várias regiões de Portugal, incluindo a área de Lisboa, vão entrar em alerta vermelho devido às temperaturas extremas, depois do país ter escapado, até agora, ao pior da vaga de calor que tem batido recordes em vários países europeus.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) anunciou que as regiões de Lisboa e Setúbal estarão sob alerta vermelho na quinta-feira (2) devido ao calor intenso.

Na sexta-feira, o aviso será alargado aos distritos de Leiria e Coimbra, onde as temperaturas poderão atingir os 44 graus Celsius em algumas localidades.

Esta quarta-feira, o IPMA colocou sob alerta laranja quatro distritos do interior, entre os quais Évora, onde os termómetros poderão chegar aos 41 graus.

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“Normalmente temos temperaturas como estas em agosto. Este ano estão a acontecer mais cedo”, afirmou José Bonifácio, músico de rua de 31 anos, numa praça do centro histórico de Évora.

Durante a tarde, as ruas empedradas da cidade alentejana ficaram praticamente desertas, enquanto residentes e turistas procuravam abrigo em cafés e esplanadas à sombra, muitas vezes equipadas com ventoinhas.

“A tarde é muito difícil, mas quem trabalha tem de aguentar”, disse Carlos Guedes, operário da construção civil de 53 anos, natural do norte do país, admitindo não estar habituado a temperaturas tão elevadas.

Todas as regiões que não se encontrem sob alerta vermelho passarão a estar sob alerta laranja, segundo o IPMA. Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, o instituto salientou que o aspeto mais preocupante deste episódio de calor extremo é a sua duração, prevendo-se que persista durante pelo menos uma semana.

O IPMA alertou ainda que as regiões costeiras poderão registar temperaturas mais elevadas devido à ausência da habitual brisa marítima. Durante várias noites consecutivas, as temperaturas mínimas poderão manter-se entre os 24 e os 28 graus, dificultando o arrefecimento noturno.

Perante a situação, o Governo português apelou à população para seguir as recomendações das autoridades de saúde e solicitou aos municípios que identifiquem espaços capazes de acolher pessoas vulneráveis sinalizadas pelos serviços de saúde.

Segundo a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, esses locais poderão incluir edifícios públicos, igrejas e também espaços privados, como centros comerciais e hotéis.

Entretanto, o grupo internacional de cientistas World Weather Attribution considerou que a recente vaga de calor foi a mais severa alguma vez registada na Europa e concluiu que um fenómeno desta intensidade em junho teria sido “praticamente impossível” sem a influência das alterações climáticas.

Nos últimos dias, foram batidos recordes absolutos de temperatura na Alemanha, Polónia, República Checa, Eslováquia e Hungria. No Reino Unido e na Suíça foram igualmente registadas temperaturas recorde para o mês de junho, enquanto França enfrentou a média diária mais elevada de sempre e as noites mais quentes desde que há registos.

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