Segundo os elementos recolhidos no âmbito da Operação Desarme 3D, escreve esta quinta-feira o jornal Expresso, os buracos escavados no solo eram utilizados para enterrar bidões industriais de 60 litros, contendo sobretudo comida enlatada de longa duração, álcool, armas e equipamentos de sobrevivência, como kits de primeiros socorros. Até ao momento, não foram encontradas armas nos locais intervencionados.
As buscas realizadas pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária permitiram desenterrar vários desses recipientes, adquiridos pelo grupo através de plataformas de compra e venda online. Os investigadores suspeitam que os esconderijos foram pensados para cenários de emergência ou colapso social, funcionando como reservas estratégicas em caso de instabilidade.
De acordo com a investigação, os membros do grupo terão ainda partilhado coordenadas e imagens dos locais em canais de comunicação encriptados, integrando estes espaços num plano mais vasto de organização logística e preparação operacional.
Em paralelo, o processo indica que o Movimento Armilar Lusitano terá elaborado listas internas com nomes de figuras públicas consideradas “alvos”, onde surgiam referências a responsáveis políticos de topo do Estado, incluindo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
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Essas listas fariam parte de um conjunto mais amplo de identificação de “inimigos políticos”, que incluía também outras figuras do espaço público, como políticos, jornalistas e académicos. Segundo a acusação, o grupo terá ainda discutido formas de vigilância e recolha de informação sobre alguns desses visados.
As autoridades sublinham que estas referências surgiam em ambientes digitais fechados, no contexto de um processo de radicalização e organização clandestina, embora nem todos os planos tenham passado à fase operacional.
O Movimento Armilar Lusitano encontra-se sob investigação por suspeitas de crimes de terrorismo e associação criminosa, com vários dos seus elementos em prisão preventiva.
A investigação, coordenada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), prossegue para apurar a extensão total da rede, a eventual existência de outros esconderijos e a dimensão completa das atividades do grupo.