A situação tem origem em 1988, quando o fundador da fraternidade, Marcel Lefebvre, realizou consagrações episcopais sem mandato de Roma, levando à excomunhão imediata decretada por João Paulo II. Apesar de tentativas posteriores de reaproximação, o estatuto canónico da FSSPX nunca foi plenamente regularizado.
Ao longo dos últimos anos, o Vaticano adotou uma abordagem de aproximação parcial. Sob diferentes pontificados, foram concedidas autorizações limitadas para a celebração de sacramentos, incluindo confissão e matrimónio, ainda que sem reconhecimento pleno da estrutura da fraternidade dentro da Igreja.
O atual impasse agrava-se com a decisão recente de avançar com novas ordenações episcopais sem autorização da Santa Sé. O Vaticano considera que tais atos configuram uma rutura grave da comunhão eclesial, podendo ser interpretados como cisma.
Em resposta, responsáveis da Santa Sé têm alertado que a consagração de bispos sem mandato pontifício é um dos delitos mais graves previstos no direito canónico, com possível aplicação de excomunhão automática aos envolvidos.
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A FSSPX, por seu lado, afirma não rejeitar a autoridade do Papa, defendendo que atua num contexto extraordinário para preservar a tradição litúrgica e doutrinal. A fraternidade sustenta ainda que o seu objetivo não é a separação, mas sim o serviço à Igreja através de uma via própria.
O debate centra-se também em divergências doutrinais antigas, nomeadamente sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo e a reforma litúrgica introduzida após o Concílio Vaticano II, que originou a forma ordinária da Missa.
Apesar da escalada recente, o Vaticano mantém aberta a possibilidade de diálogo futuro, insistindo na necessidade de comunhão plena com o Papa e com a hierarquia da Igreja como condição essencial para qualquer regularização do estatuto da fraternidade.