Início » Montenegro diz que greve geral castigou famílias e promete avançar com pacote laboral

Montenegro diz que greve geral castigou famílias e promete avançar com pacote laboral

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reagiu esta quarta-feira à greve geral com duras críticas aos sindicatos, acusando-os de terem causado prejuízos diretos a milhares de famílias sem apresentarem soluções para os problemas do país. Em declarações a partir do Palácio de São Bento, Montenegro garantiu que a paralisação não alterou o rumo do Executivo, que pretende avançar com o pacote de reforma laboral.

“A maioria dos portugueses quis trabalhar. Esta greve não trouxe nenhuma novidade e também não trouxe nenhuma solução. Muitas famílias foram prejudicadas por causa desta greve geral”, afirmou o chefe do Governo Luís Montenegro.

Segundo o primeiro-ministro, os impactos mais graves da paralisação fizeram-se sentir nos serviços públicos, com crianças sem aulas, jovens impedidos de realizar provas escolares e utentes privados de consultas e cirurgias programadas. “Não está em causa o direito à greve, mas os verdadeiros prejudicados foram os portugueses que dependem dos serviços públicos e viram a sua vida afetada”, sublinhou.

Montenegro insistiu que a contestação laboral penalizou sobretudo terceiros e desafiou os sindicatos — numa referência implícita à CGTP — a refletirem sobre os efeitos da mobilização. “Todos já conhecíamos as reivindicações. Todos temos responsabilidades e teremos de tirar consequências dos nossos atos”, disse.

A leitura do Governo é partilhada pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que, ainda durante a manhã, classificou a adesão à greve como “muitíssimo reduzida” no setor privado, defendendo que “o país está a trabalhar”. De acordo com os dados apresentados, a indústria, o turismo, a distribuição e as grandes superfícies mantiveram atividade praticamente normal, com impactos mais visíveis nos transportes e na educação.

Leia mais: Em greve, “o povo unido jamais será vencido”, repetem milhares em Lisboa. Governo fala em pouca adesão
Reforma laboral segue para o Parlamento

Enquanto a greve decorria, o Governo manteve o calendário parlamentar da reforma laboral que está na origem do protesto. A proposta deverá ser discutida em plenário da Assembleia da República no próximo dia 18, numa tramitação que tem motivado críticas por avançar antes do final do período de consulta pública.

Questionado sobre a necessidade de assegurar apoios políticos para a aprovação do diploma, Montenegro mostrou-se disponível para negociações, ainda que tenha admitido que algumas forças políticas “já se autoexcluíram” do processo. “O Governo está inteiramente disponível para incluir e para modificar um ponto ou outro que seja suscetível de aproximação”, garantiu.

Apesar da contestação sindical, o primeiro-ministro deixou claro que o Executivo não pretende recuar. A mensagem política é inequívoca: o Governo encara a greve como um episódio sem efeitos estruturais e mantém a intenção de avançar com a reforma laboral, procurando construir maiorias no Parlamento para a sua aprovação.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website