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Em greve, “o povo unido jamais será vencido”, repetem milhares em Lisboa. Governo fala em pouca adesão

Milhares de pessoas desfilam esta quarta-feira pelas ruas de Lisboa, numa manifestação convocada pela CGTP, em direção à Assembleia da República, no âmbito da greve geral contra a reforma laboral.

Sob palavras de ordem como “o povo unido jamais será vencido” e “direitos não se negociam”, os manifestantes concentram-se desde o início da tarde no centro da cidade, com forte presença de trabalhadores da indústria, dos serviços públicos e de vários setores afetados pelas alterações propostas à legislação laboral. Bandeiras sindicais e cartazes críticos da política do Governo marcam o ritmo do protesto, acompanhado por um forte dispositivo policial.

Em conferência de imprensa realizada durante a tarde, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que a adesão à greve geral foi significativa em diversos pontos do país, contrariando dados avançados pelo Executivo. Segundo a central sindical, registaram-se paralisações totais em várias unidades industriais e níveis de adesão próximos dos 100% em empresas dos setores das encomendas, alimentar, cimenteiro e têxtil.

A CGTP sustenta que encerraram fábricas como a DS Smith, Saica, Schnellecke e Sovena, bem como unidades da Bimbo, Cerealto e Cimpor, além de fortes adesões em empresas como a Exide, Bosch, Mabera e Tearfil. “Há uma tentativa de desvalorizar a greve, mas os números no terreno demonstram exatamente o contrário”, afirmou Tiago Oliveira.

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Já o Governo apresenta uma leitura distinta. Ao início do dia, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou que a adesão à greve geral é “muitíssimo reduzida” no setor privado, sublinhando que “o país está a trabalhar”, apesar de admitir impactos mais visíveis nos transportes e na educação no setor público.

A greve geral está também a provocar constrangimentos em vários serviços essenciais. No Porto, a atividade hospitalar e os transportes públicos registam perturbações, com consultas adiadas e circulação condicionada, situação que tem gerado protestos por parte de utentes.

A manifestação em Lisboa deverá culminar com uma concentração junto à Assembleia da República, onde a CGTP promete reforçar a exigência de retirada da proposta de reforma laboral e a abertura de um processo negocial com os parceiros sociais.

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