O grupo tecnológico chinês Meituan lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA), assegurando tratar-se do primeiro desta dimensão a ser treinado integralmente com recurso a processadores desenvolvidos na China.
Na corrida global pela IA, a China disputa a liderança com os Estados Unidos, que restringem a exportação para empresas chinesas dos processadores mais avançados produzidos pela norte-americana Nvidia.
Em resposta às restrições impostas por Washington por razões de segurança nacional, Pequim tem acelerado os esforços para desenvolver processadores de última geração produzidos no país e reduzir a dependência da tecnologia norte-americana.
A Meituan, conhecida sobretudo pela plataforma de entrega de refeições ao domicílio, apresentou o “LongCat-2.0”, um novo grande modelo de linguagem (LLM, na sigla em inglês), tecnologia que serve de base a ‘chatbots’ e a outras aplicações de IA.
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O desempenho do “LongCat-2.0” é comparável ao do modelo “Gemini 3.1 Pro”, lançado em fevereiro pela norte-americana Google, segundo a empresa.
A Meituan afirma ainda que se trata do “primeiro modelo com mais de um bilião de parâmetros a concluir o treino e a inferência de ponta a ponta num sistema de computação chinês composto por 50.000 processadores”. A empresa não revelou qual o fabricante dos processadores utilizados.
A equipa de investigação em IA da Meituan começou em 2023 a explorar a utilização de processadores nacionais e conseguiu ultrapassar desafios relacionados com a estabilidade, fiabilidade e eficiência do treino com estes componentes, segundo um comunicado.
O anúncio representa um marco para o setor chinês da inteligência artificial, uma vez que o treino de modelos competitivos exige processadores com elevada capacidade de computação para processar enormes volumes de dados.
Os modelos desenvolvidos por outras empresas chinesas, como a DeepSeek, a Zhipu, a Alibaba, com o modelo “Qwen”, ou a Xiaomi, com o “Mimo”, foram concebidos para funcionar com processadores chineses, mas notícias da imprensa indicam que o respetivo treino recorreu a processadores norte-americanos, segundo a agência France-Presse (AFP).
Entre os principais fabricantes chineses de processadores para IA figuram a Huawei, a Kunlunxin, subsidiária da Baidu, a Cambricon e a Moore Threads.
Inicialmente testado sob o nome de código “Owl Alpha” na plataforma OpenRouter, o “LongCat-2.0” foi treinado de raiz, é de código aberto (‘open source’) e possui 1,6 biliões de parâmetros, uma característica que determina a quantidade de informação que consegue processar e a sua capacidade de tomada de decisão.