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Rede de prostituição desmantelada em Macau envolvia agentes e ex-agentes policiais

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma rede de prostituição que operava sob a fachada de saunas em Macau. A operação resultou na detenção de 26 pessoas, incluindo três elementos no ativo das forças de segurança e dois antigos investigadores da PJ. Segundo a polícia, os actuais e antigos agentes terão recebido mais de três milhões de patacas cada para avisar a organização sobre fiscalizações policiais

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De acordo com a PJ, o grupo operava desde 2019 e terá acumulado, apenas desde 2024, lucros ilícitos de até 790 milhões de patacas. As saunas funcionavam como fachada para serviços de spa e massagens, mas serviam para recrutar mulheres da Ásia e da Europa de Leste para a prestação de serviços sexuais.

Os clientes pagavam entre 2.000 e 8.000 patacas por sessão. Os preços eram definidos em função da nacionalidade das mulheres e dos serviços prestados, enquanto as trabalhadoras recebiam entre 1.000 e 2.000 patacas por transação.

Durante a operação, realizada ontem, os investigadores fizeram buscas em três saunas, cinco escritórios e 23 locais relacionados com a rede. Foram apreendidos bens no valor de cerca de 50 milhões de patacas, além de grande quantidade de instrumentos usados na atividade criminosa e livros de contas.

No total, 381 pessoas foram levadas para investigação, incluindo trabalhadores transfronteiriços, trabalhadores ilegais, pessoas em situação de permanência irregular e mulheres envolvidas na prestação de serviços sexuais.

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A PJ indicou que a organização tinha um elevado grau de preparação para evitar a deteção policial, devido ao envolvimento de elementos ligados às forças de segurança. Os agentes e antigos agentes suspeitos terão recebido subornos para alertar a rede sobre operações e inspeções policiais. Desde o início de 2024, cada um dos cinco envolvidos terá recebido mais de três milhões de patacas.

Os 26 detidos são residentes de Macau, do Interior da China e de Hong Kong. Entre eles estão o alegado cabecilha da rede e 25 membros considerados centrais na estrutura da organização.

PJ e CPSP prometem tolerância zero

Na sequência da investigação, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) confirmou que três dos seus agentes foram constituídos suspeitos e encaminhados para o Ministério Público. A corporação manifestou “choque e profundo pesar” pelo caso e garantiu total cooperação com a investigação da PJ e das autoridades judiciais.

O CPSP indicou ainda que foram instaurados processos disciplinares aos agentes envolvidos, que ficaram suspensos preventivamente de funções. A corporação prometeu rever os mecanismos de supervisão, corrigir falhas de gestão e reforçar as medidas internas para evitar situações semelhantes.

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A PSP afirmou também ter dado instruções imediatas a todos os níveis hierárquicos para cumprimento rigoroso da lei, reforçando a educação sobre integridade e os mecanismos de controlo interno. A corporação reiterou que mantém uma postura de “tolerância zero” perante infrações legais ou disciplinares, independentemente da patente dos envolvidos.

A Polícia Judiciária também expressou “grave preocupação” com o alegado envolvimento de antigos funcionários em atividades criminosas. A PJ sublinhou que mantém igualmente uma política de “tolerância zero” perante atos ilegais e garantiu que o caso será tratado de forma imparcial e sem favorecimentos.

Sob orientação das autoridades judiciais, a investigação vai prosseguir. A PJ prometeu atuar “sem indulgência” caso sejam identificados outros agentes no ativo ou aposentados envolvidos no caso. A direção ordenou ainda aos responsáveis de todas as unidades uma revisão dos mecanismos internos de supervisão e gestão, para identificar falhas e prevenir novos casos.

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