Kim Jong-un fez o anúncio sobre o reforço “exponencial” durante uma visita a uma nova instalação de produção de materiais nucleares, noticiou a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando a congénere norte-coreana KCNA.
“Ameaças existentes que se agravam diariamente, potenciais ameaças e crises imprevisíveis a longo prazo#, tornam necessário “reforçar exponencialmente as forças nucleares do nosso estado”, afirmou Kim.
“A capacidade de produzir materiais nucleares para armamento mais do que duplicou nos últimos cinco anos”, adiantou o líder norte-coreano, citado pela KCNA.
Pyongyang retirou-se do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares em 2003, e desde então realizou seis testes nucleares, violando múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Estima-se que tenha na sua posse dezenas de ogivas nucleares.
O regime tem afirmado incessantemente a recusa em renunciar ao arsenal nuclear, qualificando esta trajetória de irreversível e prometendo reforçar as suas capacidades.
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Paralelamente, reforçou os laços com a Rússia e apoiou-a no conflito na Ucrânia, enviando tropas e equipamento, recebendo, em troca, assistência tecnológica militar de Moscovo.
Em maio, o embaixador da Coreia do Norte nas Nações Unidas afirmou que o país não está sujeito ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e nenhuma pressão externa irá alterar o estatuto de Estado detentor de armas nucleares.
“Durante a 11.ª Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, na ONU, os Estados Unidos e alguns países que os seguem questionam, sem qualquer fundamento, o estatuto atual e (…) os direitos soberanos” da Coreia do Norte, declarou o embaixador de Pyongyang na ONU, Kim Song, num comunicado divulgado pela KCNA.
“O estatuto da República Popular Democrática da Coreia como Estado dotado de armas nucleares não mudará em função de declarações retóricas externas ou de desejos unilaterais”, acrescentou o diplomata, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana.
Kim acrescentou que o estatuto nuclear do país foi “consagrado na Constituição, que define claramente os princípios de utilização da arma nuclear”.
Os nove Estados detentores de armas nucleares – Rússia, Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte – possuíam 12.241 ogivas nucleares em janeiro de 2025, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (Sipri).
A quase totalidade destas ogivas nucleares pertence à Rússia e aos Estados Unidos, que, por si só, detêm 90% das armas nucleares mundiais, segundo o Sipri.
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Na semana passada, o ministério norte-coreano dos Negócios Estrangeiros “condenou e rejeitou veementemente o Quad, liderado pelos Estados Unidos, por incitar posições hostis” contra a Coreia do Norte “e outros [países] da região”, e exigiu “firmemente que cesse qualquer tentativa de confronto entre blocos que destrua a paz e a estabilidade regionais”, informou a agência noticiosa estatal KCNA.
O Quad – Diálogo de Segurança Quadrilateral – é um fórum informal que reúne Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia para trocas de informações de inteligência e exercícios militares.
Pyongyang acusou o Quad de distorcer “gravemente os desafios e ameaças imediatos e urgentes que os países da região Ásia-Pacífico enfrentam”, bem como de expor, “sem reservas, intenções hostis dirigidas a nações específicas”.
As declarações sobre o reforço do Quad “têm como objetivo legitimar o rearmamento do Japão e a posse de submarinos nucleares por parte da Austrália, o que suscita inquietação na comunidade internacional”, acrescentou o Governo norte-coreano, sustentando que o facto de defenderem a “desnuclearização demonstra que o Quad não passa de uma ferramenta política e diplomática ao serviço da estratégia de domínio dos EUA”. “Para que fique claro mais uma vez, nunca haverá uma desnuclearização [da Coreia do Norte]”, afirmou.