“Não estamos à procura de alguém que diga: ‘Vamos declarar independência porque os Estados Unidos nos apoiam’”, afirmou Trump numa entrevista concedida após a visita de Estado à China, realizada entre quarta e sexta-feira (13 e 15).
Numa conferência de imprensa sobre a cimeira China-EUA, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou na sexta-feira que a “impressão deixada pela cimeira” é que os Estados Unidos “compreendem a posição da China, levam a sério as preocupações chinesas” e “tal como o resto da comunidade internacional, não concordam nem aceitam que Taiwan avance para a independência”.
Liu Xiangping, especialista em estudos sobre Taiwan da Universidade de Nanjing, afirmou que as declarações de Trump demonstram que os Estados Unidos não concordam, não apoiam nem aceitam a “independência de Taiwan”, muito menos permitem que forças separatistas utilizem Washington como apoio.
Isto representa “um duro golpe” para o líder taiwanês, Lai Ching-te, e para as autoridades do Partido Democrático Progressista (DPP), que continuam a defender a independência da ilha, segundo Liu.
Leia também: Taiwan rejeita negociações sobre segurança após comentários de Trump
Wang Yingjin, diretor do centro de investigação das relações entre China e Taiwan da Universidade Renmin da China, argumentou que a causa das atuais tensões no estreito reside na tentativa contínua das autoridades taiwanesas de obter apoio dos Estados Unidos para a agenda independentista, bem como na tentativa de algumas forças externas de usar Taiwan para conter a China.
Wang afirmou que as declarações de Trump enviam “um sinal claro” de que os Estados Unidos não estão dispostos a pagar o preço por uma tentativa “imprudente” de independência de Taiwan, nem desejam ser arrastados para uma guerra “do outro lado do oceano”.
“Esta mensagem destruiu a fantasia da ‘independência de Taiwan’ e serve também de aviso às autoridades do DPP e a todos aqueles que continuam agarrados a essa ilusão”, afirmou.
Durante a cimeira China-EUA, os dois presidentes concordaram numa nova visão para construir uma relação bilateral de estabilidade estratégica construtiva, algo que, segundo especialistas chineses, poderá reforçar as bases para a paz no estreito de Taiwan.
Leia também: Trump: Encontro com Xi marcado por advertências sobre Taiwan
Xu Xiaoquan, investigador do Instituto de Estudos de Taiwan da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a questão de Taiwan é um tema central e incontornável nas relações entre China e Estados Unidos, estando diretamente ligada à construção dessa estabilidade estratégica.
A defesa conjunta da paz no estreito de Taiwan poderá criar condições para uma coexistência pacífica e cooperação mutuamente vantajosa entre os dois países, representando também “uma escolha estratégica importante” para a estabilidade mundial, segundo Xu.
Sheng Jiuyuan, diretor do centro de estudos sobre Taiwan da Universidade Jiao Tong de Xangai, afirmou que China e Estados Unidos partilham o mesmo objetivo de preservar a paz no estreito. Os Estados Unidos mostram-se dispostos a ver os dois lados do estreito resolverem a questão através do diálogo e de negociações pacíficas, segundo Sheng.
Para Xu, a cimeira demonstrou ainda que a abordagem norte-americana às questões relacionadas com Taiwan se tornou mais racional e pragmática, contrariando as narrativas promovidas pelas autoridades do DPP.
Já Liu Xiangping afirmou que, a longo prazo, a China continental possui “uma base material mais sólida, maiores capacidades e uma posição estratégica mais favorável” para resolver a questão de Taiwan.
O académico acrescentou que as populações dos dois lados do estreito devem opor-se ao separatismo favorável à independência de Taiwan, ampliar os intercâmbios e contribuir conjuntamente para a reunificação nacional.