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Vínculo atlântico continua prioritário em fórum internacional

O presidente do comité organizador do Foro La Toja, defendeu hoje (30), em Lisboa, que preservar o vínculo atlântico continua a ser uma prioridade e que, neste contexto, a NATO “é essencial”

Lusa - Portugal

Carlos López Blanco apresentava as conclusões da quarta conferência do Foro La Toja (fórum internacional de debate e reflexão), que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, na presença de vários membros do Governo português e espanhol, bem como de especialistas e analistas políticos de várias nacionalidades, para refletir sobre “A Relação Atlântica e Futuro da Europa”.

Para López Blanco, ouviu-se durante os trabalhos que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) “precisa de mais Europa, mas não menos Estados Unidos”, mensagem que se repetiu praticamente em todos os debates realizados entre vários oradores.

“A Europa tem de se fortalecer, de falar uma só vez e, ao mesmo tempo, e este é outra mensagem reiterada, a Europa precisa de comprar tempo para tomar determinadas decisões estratégicas”, sublinhou.

Alguns dos problemas na relação transatlântica “vêm de antes da presente administração norte-americana e vão prosseguir depois. E isso também é muito importante entender”, considerou, sobre as conclusões de alguns painéis.

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“A paz sem defesa não pode existir. E, para a Europa, a Ucrânia é existencial. E não se pode resolver a situação da Ucrânia sem a NATO e no quadro da NATO. Não é a primeira vez que ouvimos insistir na importância estratégica fundamental que tem a Ucrânia para o futuro da Europa”, realçou.

Em termos políticos, prosseguiu, foi dito que a Europa tem de enfrentar os desafios que supõem a existência dos partidos de extrema-esquerda, de extrema-direita “e de extrema-necessidade”, tal como disse o antigo presidente do governo da Espanha Mariano Rajoy (2011-18), um dos oradores presentes.

No entanto, os desafios económicos da Europa continuam a ser os mesmos, algo que López Blanco assumiu como “um pequeno desalento”.

Dando exemplos desses desafios, o responsável espanhol fez eco da baixa inovação relativa, da baixa produtividade, da falta de mercado de capitais, “que continuam a ser o grande empecilho para a inovação na Europa”, levando à fragmentação do mercado único.

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“Mas também na economia a solução é mais Europa. No desafio digital, o problema é a falta de financiamento. Na Europa não falta liquidez para financiar a inovação e a economia digital. Falta um mercado eficiente de capitais. O tratado não é o problema, o tratado europeu não é o problema. O problema é a falta de vontade política”, referiu.

“Temos falado também do fim da ordem liberal global. E foi-nos dito que não devíamos sentir nostalgia de muitas das coisas deste mundo que deixamos para trás. E que também devemos estar seguros que Estados Unidos, mais cedo que mais tarde, vão descobrir que as alianças ainda são essenciais. E isso está aprendendo na guerra do Irão”, acrescentou.

Noutra nova ordem global, acrescentou, “não há possibilidades de neutralidade entre a China e os Estados Unidos”, por muito que Pequim seja um poder inseguro, tal como foi referido num dos painéis.

“E não há outra alternativa senão fortalecer o vínculo atlântico, porque não é só um vínculo militar, económico ou político. É uma comunidade de valores ao redor da democracia representativa”, sublinhou López Blanco. Numa última mensagem, Blanco salientou que a Europa, “bem como outros países intermédios”, como o Canadá, “fazem bem em pensar nas debilidades que têm”.

“Mas a Europa também tem de fazer encaminhar e pensar nas suas próprias fortalezas, que são muitas e muito importantes. As potências médias são mais importantes do que cremos, mas, para que joguem o seu papel, precisamos de voltar a fortalecer as instituições globais da governança internacional”, sustentou.

Entre os principais temas debatidos na conferência, estiveram “Os Desafios Políticos da Europa”, “A Relação Atlântica e a Segurança Europeia”, “O Mercado Único e a Economia Global” ou “Uma Nova Ordem Europeia e Mundial”.

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