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Incerteza sobre apoio dos EUA leva Ásia a reforçar defesa e diversificar alianças

A despesa militar na Ásia–Pacífico registou em 2025 o maior aumento em 16 anos, face à crescente incerteza sobre o compromisso de Washington com a segurança regional e à reconfiguração estratégica no Sudeste Asiático, segundo dados recentes

Lusa - China

Os gastos militares na Ásia e Oceânia ascenderam a 681 mil milhões de dólares (cerca de 580 mil milhões de euros), mais 8.1% em termos homólogos, o maior aumento desde 2009, de acordo com o Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês).

A nível global, a despesa atingiu 2,89 biliões de dólares (2,46 biliões de euros), mais 2.9% do que em 2024, no 11.º ano consecutivo de crescimento, representando 2.5% do produto interno bruto (PIB) mundial.

A China aumentou os gastos militares em 7.4%, para 336 mil milhões de dólares (286 mil milhões de euros), registando o 31.º ano consecutivo de crescimento, enquanto outros países da região aceleraram ainda mais o ritmo: o Japão subiu 9.7% e Taiwan 14%, refletindo preocupações com a segurança regional e a intensificação das atividades militares chinesas.

Aliados dos Estados Unidos na região, como Austrália, Japão e Filipinas, estão a reforçar os orçamentos de defesa não só devido a tensões regionais, mas também por dúvidas quanto ao apoio de Washington, segundo o SIPRI.

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“Aliados dos Estados Unidos na Ásia e Oceânia, como Austrália, Japão e Filipinas, estão a aumentar os gastos militares não só devido a tensões regionais de longa data, mas também por causa da crescente incerteza quanto ao apoio de Washington”, afirmou Diego Lopes da Silva, investigador sénior do programa de despesa militar e produção de armamento do SIPRI.

“Tal como na Europa, os aliados dos Estados Unidos na Ásia e Oceânia estão também sob pressão da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, para aumentarem os seus gastos militares”, descreveu.

Essa perceção é partilhada por vários países do Sudeste Asiático, que, apesar de manterem posições públicas de neutralidade face ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, estão a acelerar esforços para reduzir a dependência militar de Washington.

Analistas apontam que a política externa imprevisível do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem contribuído para a erosão da confiança e para uma crescente distância entre Washington e capitais da região.

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“A influência dos Estados Unidos parece estar a diminuir de forma mais acentuada. Um dos sinais mais claros é a ausência de apoio inequívoco por parte de aliados e parceiros durante a atual crise no Médio Oriente. Mesmo países tradicionalmente próximos manifestaram críticas à guerra dos EUA contra o Irão”, escreveu Rahul Mishra, professor associado no Centro de Estudos do Indo-Pacífico, da Escola de Estudos Internacionais da Jawaharlal Nehru University, em Nova Deli.

Um exemplo recente foi o acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Indonésia, seguido de divergências internas em Jacarta sobre a concessão de direitos de sobrevoo a Washington no estreito de Malaca.

Num inquérito do grupo de reflexão (‘think tank’) ISEAS-Yusof Ishak Institute, 52% dos inquiridos no Sudeste Asiático indicaram preferir alinhar com a China, face a 48% que optariam pelos Estados Unidos, com países como Indonésia, Malásia e Singapura a mostrarem maior inclinação para Pequim.

Entre os fatores que explicam esta tendência está o impacto económico da crise no Médio Oriente, nomeadamente as perturbações no estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das importações energéticas da região.

Especialistas sublinham, porém, que a menor confiança nos Estados Unidos não implica um alinhamento automático com a China, com muitos países a optarem por diversificar parcerias, incluindo com Japão, Índia, Austrália, União Europeia e Reino Unido.

“A dinâmica entre os Estados Unidos e a China é frequentemente apresentada como favorecendo Pequim, mas essa visão é excessivamente simplista. Persistem divisões no seio da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), sobretudo em relação ao mar do Sul da China”, observou Rahul Mishra.

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