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Quarenta anos depois, Chernobyl tornou-se um refúgio inesperado para a vida selvagem

Quatro décadas após o acidente nuclear de Chernobyl, a região continua praticamente interditada à presença humana, mas a natureza ocupou o vazio deixado pelo homem e transformou a antiga zona contaminada num dos mais singulares santuários de vida selvagem da Europa.

A explosão do reator 4, em abril de 1986, levou à evacuação imediata de Pripyat e, nas semanas seguintes, à retirada de dezenas de milhares de pessoas de aldeias e explorações agrícolas num raio de milhares de quilómetros quadrados. Desde então, a chamada Zona de Exclusão permanece quase deserta, com acesso fortemente condicionado devido à radiação.

O afastamento humano criou, no entanto, condições para um fenómeno inesperado: o regresso e a expansão de inúmeras espécies animais. Cavalos-de-Przewalski, introduzidos no final da década de 1990, vagueiam livremente, enquanto ursos-pardos, lobos, linces, alces e veados recuperaram território. Populações de aves, insetos, anfíbios e peixes também aumentaram de forma significativa.

Cientistas admitem que a radiação provocou mutações em várias espécies, incluindo alterações físicas e comportamentais. A Agência Internacional de Energia Atómica reconhece a existência de deformações e mudanças em plantas e animais, mas sublinha que, apesar disso, a biodiversidade tem prosperado, em parte graças à ausência de atividade humana intensiva.

Reportagens da BBC e da Associated Press descrevem fenómenos raros, como fungos escuros ricos em melanina que crescem em áreas altamente radioativas, além de espécies que parecem ter desenvolvido adaptações naturais à exposição prolongada.

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Segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, a maior parte da radioatividade libertada dissipou-se relativamente depressa após o acidente, permitindo que vastas áreas recuperassem. Hoje, edifícios abandonados são engolidos pela vegetação, estradas desapareceram sob a floresta e antigas aldeias deram lugar a habitats quase intocados.

Apesar desta recuperação natural, Chernobyl continua longe de ser um território seguro para o regresso humano. A guerra na Ucrânia voltou a expor a fragilidade da zona, com incêndios, movimentações militares e o risco de remobilização de partículas radioativas.

Ainda assim, para a comunidade científica, a região tornou-se um caso de estudo único: uma prova de que, mesmo após uma das maiores catástrofes nucleares da história, a natureza consegue regressar — e até florescer — quando a pressão humana desaparece.

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