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Angola enfrenta desafios no acesso a alimentos

Dos 13.035 agregados familiares inquiridos, mais de metade (59%) revelaram insegurança alimentar moderada, “evidenciando a sua vulnerabilidade, mesmo na ausência de situações de fome extrema”, lê-se no relatório

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As formas mais extremas de privação alimentar atenuaram-se em 2025 em Angola, “ainda que persistam desafios significativos no acesso regular e adequado a alimentos”, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano.

No relatório sobre a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar 2025, elaborado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o INE angolano indica que 11,7% dos agregados familiares inquiridos apresentavam insegurança alimentar severa em 2025, contra 19,5% em 2023 (após uma quebra no registo em 2024).

Dos 13.035 agregados familiares inquiridos, mais de metade (59%) revelaram insegurança alimentar moderada, “evidenciando a sua vulnerabilidade, mesmo na ausência de situações de fome extrema”, lê-se no relatório.

Em 2023, essa percentagem foi de 55,1%.

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O número de agregados em segurança alimentar/insegurança alimentar leve (sem dificuldades no acesso a alimentos nutritivos) subiu para 29,1%, contra os 25,4% em 2023, acrescenta.

A prevalência de insegurança alimentar severa em 2025 foi ligeiramente superior na área rural face à urbana, com uma diferença de 0,1 pontos percentuais, o mesmo acontecendo com a insegurança alimentar moderada, com as áreas rurais a continuarem a apresentar valores mais elevados, lê-se no relatório.

“Em contrapartida, na categoria de segurança alimentar ou insegurança alimentar leve, observa-se uma inversão deste padrão, com maior proporção na área urbana (31,6%) comparativamente à área rural (24,8%)”, acrescenta.

A amostra foi ampliada de 10.944 agregados familiares inquiridos em 2023 para 13.080 em 2025, passando a apresentar maior representatividade nas áreas urbanas, que passou de 55,2% para 62,5% da amostra, em detrimento das áreas rurais, que passou de 44,8% para 37,5%.

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“As estimativas da insegurança alimentar permitem-nos conhecer a real situação da disponibilidade e acesso de alimentos variados e saudáveis à população”, salienta o INE.

A Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES – Food Insecurity Experience Scale), desenvolvida pela FAO, “capta diferentes níveis de severidade da insegurança alimentar, desde preocupações quanto ao acesso a alimentos até situações mais graves de privação alimentar, permitindo uma análise mais abrangente e centrada no indivíduo”, explica.

O INE passou a integrar a FIES no Inquérito sobre o Emprego em Angola em 2019, o que tem permitido “produzir indicadores robustos sobre a insegurança alimentar do país, numa periodicidade anual, desagregados a nível nacional e provincial e comparáveis internacionalmente”, no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Agenda 2030 das Nações Unidas, acrescenta.

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