Portugal já apreendeu cerca de 28 toneladas de cocaína desde o início de 2026, ultrapassando o total de todo o ano de 2025. O aumento levanta uma questão: há mais droga a entrar no país ou as autoridades estão a ser mais eficazes no combate ao narcotráfico?
A resposta, segundo especialistas em segurança, resulta da combinação de vários fatores. Por um lado, as redes criminosas continuam a aumentar os carregamentos destinados à Europa. Por outro, a cooperação internacional e a troca de informação entre polícias têm permitido intercetar mais remessas antes de chegarem ao mercado.
Portugal continua a ser uma porta de entrada para a Europa
A localização geográfica de Portugal mantém o país como um ponto estratégico para a entrada de cocaína proveniente da América do Sul.
Grande parte da droga chega escondida em navios porta-contentores oriundos de países como Brasil, Colômbia, Equador e Peru. Os portos de Sines, Leixões e Lisboa figuram entre as infraestruturas monitorizadas pelas autoridades devido ao elevado volume de mercadorias que recebem diariamente.
Segundo os investigadores, as organizações criminosas aproveitam o intenso movimento portuário para ocultar carregamentos em contentores legais, dificultando a sua deteção.
As rotas mudaram
Nos últimos anos, o narcotráfico adaptou-se à maior vigilância exercida sobre os portos do norte da Europa, como Roterdão (Países Baixos) e Antuérpia (Bélgica), historicamente as principais portas de entrada da cocaína no continente.
Face ao reforço dos controlos nesses locais, várias redes criminosas começaram a diversificar as rotas, recorrendo com maior frequência aos portos da Península Ibérica, incluindo Portugal.
Esta estratégia permite distribuir o risco por diferentes pontos de entrada e reduzir a probabilidade de perder grandes carregamentos numa única operação policial.