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Angola: Papa Leão XIV leva mensagem de esperança, reconciliação e paz

Leão XIV chega sábado a Angola para uma visita de três dias, para a qual escolheu o lema “Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz”, com a Igreja angolana a lembrar que a reconciliação é ainda “um desafio”

Lusa

Proveniente dos Camarões, segunda etapa de uma visita apostólica de 10 dias à África, que começou na Argélia e inclui ainda a Guiné Equatorial, o Papa é esperado ao princípio da tarde de sábado na capital, onde é recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço, numa visita de cortesia, reúne com autoridades e tem um encontro privado, à noite, com os bispos.

No domingo, estão agendadas celebrações religiosas na Centralidade do Kilamba – grande complexo residencial inaugurado em 2011 e elevado a município em 2024 -, a 30 quilómetros de Luanda, e no Santuário de Nossa Senhora da Muxima (Icolo e Bengo) – onde está em curso a construção de um novo templo e zonas residenciais -, a 130 quilómetros da capital, numa deslocação que fará por helicóptero.

Segunda-feira, o Papa desloca-se a Saurimo, capital da Lunda Sul, no Leste de Angola e fronteira com a vizinha República Democrática do Congo, zona rica em recursos minerais, nomeadamente diamantes, mas que, como notou o bispo do Luena, Martin Lasarte, “também tem lados negativos”, como um marcado subdesenvolvimento.

Para o bispo católico, nesta visita ao Leste de Angola, Leão XIV vai encontrar uma enorme riqueza humana, linguística e natural e espera-se que a sua presença possa alavancar oportunidades de crescimento da região.

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Vários atores da sociedade civil e políticos consideram que a região leste de Angola, rica em recursos naturais, “está abandonada” pelas autoridades e regista um fraco desenvolvimento socioeconómico que contrasta com o volume de recursos minerais, sobretudo diamantes, há décadas aí explorados.

No mesmo dia, Leão XIV regressa a Luanda para o último ato oficial da visita, antes da partida, dia 21, para a Guiné Equatorial.

Nesse último encontro, onde fará um discurso, o Papa estará com bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas, e agentes pastorais na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Num ponto de situação sobre a visita do Papa, o arcebispo de Luanda, Filomeno Vieira Dias, lembrou que, no ano em que o país celebra 24 anos de paz, a reconciliação continua a constituir “um desafio”.

“Por mais que esta palavra por vezes ressoe mal em certos ouvidos há muitos angolanos que sentem que este é um tema que ainda deve estar sobre a mesa”, disse, lembrando que “a reconciliação não é um ato administrativo” e que ainda há pessoas “marginalizadas, secundarizadas e excluídas”.

“É um processo psicológico, é um processo humano, é um processo social, legislativo, a reconciliação não é um ato feito uma vez por todas, mas é algo que é construído continuamente”, realçou, salientando que Angola só poderá caminhar como povo se estiver reconciliada.

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) promoveu, em novembro último, um Congresso Nacional de Reconciliação, no qual esperava contar com a presença do Presidente da República, o qual, apesar de confirmar, acabou por não comparecer.

A Igreja angolana não esconde o desejo de que a vinda do Papa traga a boa nova da nomeação de um cardeal angolano, recordando que Angola é a cristandade mais antiga ao sul do Saara. Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.

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