Moçambique prevê adquirir 360 autocarros para transporte público de passageiros nos principais centros urbanos e transporte escolar, conforme concurso público internacional lançado pelo Fundo de Desenvolvimento de Transportes e Comunicações (FTC) e consultado hoje pela Lusa.

Segundo o edital do concurso, que prevê a abertura das propostas concorrentes aos quatro lotes em 04 de maio, a aquisição insere-se no programa governamental para melhorar o sistema de transporte público de passageiros e “promover o transporte público inclusivo e moderno, garantindo a crescente sustentabilidade financeira do setor rodoviário e melhoria das condições de transporte e logística”.

O primeiro lote do concurso lançado por aquele fundo público prevê o fornecimento de 50 autocarros movidos a Gás Natural Veicular (GNV), “para reforço do Transporte Público na Área Metropolitana de Maputo”, o segundo lote 70 autocarros a diesel, “para expansão do transporte escolar nas zonas norte e centro”, e o terceiro envolve mais 75 autocarros a GNV, para municípios do sul.

O quarto lote envolve a aquisição de 165 autocarros a diesel, para municípios das zonas centro e norte.

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O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, avisou a 13 de abril, em Maputo, que a crise de combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente pode chegar a Moçambique a qualquer altura, pedindo aposta no transporte público para mitigar essas consequências, recordando que está a disponibilizar viaturas para transporte público em todo o país.

“Ao colocarmos as viaturas para os 15 municípios da zona centro e norte e no próximo mês de maio para a zona sul, é exatamente para anteciparmos a crise de combustíveis que a qualquer altura pode chegar, por causa da guerra, que sabem muito bem, entre o Irão, Estados Unidos e Israel. E com transporte público podemos minimizar o impacto desta crise”, disse o chefe de Estado.

As autoridades moçambicanas anunciaram na semana passada que estão a preparar medidas para mitigar eventuais impactos de aumentos dos preços de combustíveis, face à imprevisibilidade nos preços internacionais devido à guerra no Médio Oriente.

“Em relação à questão dos preços [do combustível] no mercado internacional, há muita imprevisibilidade. É muito difícil a uma altura desta fazer alguma previsão, tomando em consideração o que decorre mesmo no contexto geopolítico”, disse Felisbela Cunhete, diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC).

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Em declarações aos jornalistas, a responsável assinalou que entre janeiro e fevereiro o país constatou alguma estabilidade dos preços dos combustíveis, situação que mudou este mês, com um agravamento dos preços de importação e do próprio produto.

“A partir de abril registou-se um agravamento dos preços de importação, refiro-me aos preços FOB [Free on Board] e o preço do próprio produto, decorrente mesmo daquilo que foi o conflito, portanto, registado no Médio Oriente, uma vez que a maior parte do produto que abastece o nosso mercado provém daquela região”, acrescentou a diretora da DNHC.

A interrupção da circulação pelo Estreito de Ormuz, via de transporte para cerca de 20% do petróleo e parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, os mercados de combustíveis reagiram rapidamente e registaram um agravamento muito grande dos preços, referiu.

Neste contexto, adiantou, caso a situação prevaleça e os países passem a importar os produtos com uma fatura mais alta, espera-se que isso se reflita no mercado nacional, com o Governo a preparar-se para mitigar os impactos do aumento dos preços.

“Então, nós, naturalmente, em algum momento vamos ter de tomar esse preço e o Governo está ciente disso”, reconheceu, assinalando que o executivo já está preparado para implementar um conjunto de medidas para ajudar na mitigação do impacto do preço da venda ao público, porque o preço do combustível tem um impacto multiplicador em toda a economia.