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Fundador da Evergrande admite fraude em tribunal na China

O fundador da gigante imobiliária chinesa Evergrande declarou-se culpado de acusações de fraude e suborno, informou um tribunal na terça-feira, representando mais um golpe para o que foi outrora o principal promotor imobiliário do país

AFP

A ascensão da Evergrande foi impulsionada por décadas de rápida urbanização e aumento dos padrões de vida, mas, em 2020, o seu acesso ao crédito diminuiu drasticamente quando o Governo chinês introduziu restrições ao endividamento excessivo e à especulação. A empresa entrou em incumprimento em 2021, após dificuldades em reembolsar credores.

O fundador Xu Jiayin, conhecido como Hui Ka Yan em cantonês, terá sido detido pela polícia em 2023, tendo a Evergrande afirmado que foi sujeito a medidas “devido a suspeitas de crimes ilegais”.

Uma audiência pública realizou-se na segunda e terça-feira no caso contra Xu por “captação ilegal de depósitos públicos, fraude na angariação de fundos, concessão ilegal de empréstimos, utilização ilegal de fundos, emissão fraudulenta de valores mobiliários, divulgação de informações relevantes em violação de regulamentos, desvio de fundos e suborno (empresarial)”, segundo um comunicado do tribunal.

“Xu Jiayin declarou-se culpado e expressou arrependimento em tribunal”, afirmou o Tribunal Popular Intermédio de Shenzhen, na província meridional de Guangdong, sem fornecer mais detalhes.

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O Grupo Evergrande e a sua unidade imobiliária também foram julgados esta semana. A Evergrande é acusada de vários crimes, incluindo fraude, suborno e concessão ilegal de empréstimos. A sua unidade imobiliária enfrenta uma acusação de emissão fraudulenta de valores mobiliários. O tribunal indicou que o veredicto será anunciado numa data posterior.

Cotada em Hong Kong em 2009, a Evergrande atingiu um valor de mercado superior a 50 mil milhões de dólares sob a liderança do fundador Xu. Mas a situação inverteu-se em 2020, com as novas regras de endividamento impostas por Pequim.

Nos anos seguintes, o setor enfrentou dificuldades prolongadas para concluir projetos de construção, enquanto as ações caíram e os fluxos de caixa diminuíram.

Um tribunal de Hong Kong ordenou a liquidação da empresa em janeiro de 2024, considerando que não apresentou um plano adequado de reembolso da dívida. Em agosto passado, a empresa foi retirada da bolsa de Hong Kong.

Xu, de 67 anos, foi outrora um dos bilionários mais ricos da China e membro de um dos principais órgãos consultivos políticos do país. A sua fortuna e estatuto diminuíram significativamente, à medida que Pequim intensificou o combate à corrupção no setor financeiro.

O caso da Evergrande – e problemas semelhantes enfrentados por outros gigantes imobiliários, como Country Garden e Vanke – tem sido acompanhado de perto por analistas que avaliam a saúde da segunda maior economia mundial.

A crise também afetou a confiança dos consumidores, num momento em que as autoridades chinesas procuram promover um novo modelo de crescimento mais baseado no consumo interno do que no investimento. Os preços das novas habitações na China têm registado quedas há quase três anos.

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