De acordo com o INE, a aceleração do Índice de Preços no Consumidor (IPC) é “quase na totalidade explicada” pela evolução dos preços dos combustíveis, numa altura em que os produtos energéticos registaram uma variação homóloga de 5,7%, após terem recuado no mês anterior.
O instituto estatístico confirma assim a estimativa rápida já anteriormente divulgada, sublinhando que o impacto do setor energético foi determinante para a evolução global dos preços. Em sentido oposto, os preços dos produtos alimentares não transformados abrandaram ligeiramente, passando de 6,7% para 6,4%.
A inflação subjacente — que exclui energia e bens alimentares mais voláteis — também acelerou, ainda que de forma ligeira, para 2,0%, mais 0,1 pontos percentuais face a fevereiro, sinalizando alguma persistência das pressões inflacionistas na economia.
Em termos mensais, o IPC registou uma variação de 2,0% face a fevereiro, um aumento significativo face ao 0,1% registado no mês anterior e superior também ao valor observado em março de 2025. A variação média dos últimos 12 meses manteve-se em 2,3%, igual à do mês anterior.
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O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), utilizado para comparações europeias, fixou-se igualmente em 2,7% em termos homólogos, acima da estimativa anterior para a área do euro, segundo o Eurostat.
Por classes de despesa, o INE destaca o contributo dos transportes, fortemente influenciados pelo aumento dos combustíveis, bem como dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas e dos restaurantes e alojamento, como os principais motores da subida anual dos preços. Em sentido contrário, vestuário e calçado e informação e comunicação registaram contributos negativos.
No movimento mensal, o destaque vai para a forte subida do vestuário e calçado, associada à entrada de nova coleção, enquanto os transportes também contribuíram de forma significativa para o aumento do índice global. A única classe com impacto negativo foi a do lazer, recreação e cultura.
Com esta evolução, a inflação volta a acelerar no início da primavera, reforçando a pressão sobre os preços da energia e mantendo a atenção dos mercados e das famílias centrada na evolução dos combustíveis e do custo de vida.