O modelo conseguiu formalizar, em poucas horas, a solução de uma conjetura apresentada em 2014, recorrendo a um sistema de duplo agente que combina raciocínio em linguagem natural com verificação matemática formal. O trabalho foi descrito num artigo preliminar disponibilizado no repositório científico arXiv.
O sistema abordou um problema de álgebra comutativa proposto pelo matemático norte-americano Dan Anderson e concluiu a verificação da demonstração em cerca de 80 horas de execução contínua. Segundo os investigadores, o modelo integra um agente responsável por explorar estratégias e construir provas de forma informal, e outro dedicado à tradução dessas provas para um formato rigoroso, passível de validação automática por máquina.
A equipa esclareceu que a única intervenção humana consistiu na disponibilização de acesso a documentos restritos que o sistema não conseguiu obter autonomamente, não tendo sido necessário qualquer juízo matemático durante o processo de resolução.
Os autores defendem que esta abordagem poderá permitir a automatização de tarefas que até agora exigiam colaboração entre especialistas e supervisão constante, embora ressalvem que o estudo ainda não foi sujeito a revisão por pares. O trabalho insere-se nos avanços recentes dos modelos de linguagem e dos sistemas baseados em agentes aplicados à investigação matemática, um campo que continua a enfrentar desafios relacionados com a fiabilidade das demonstrações geradas por IA.
Leia mais: China emite diretriz para governança ética da IA
Os investigadores sublinham ainda que a combinação entre raciocínio em linguagem natural e verificação formal poderá facilitar a resolução de problemas matemáticos complexos e reforçar a validação de resultados científicos.
O projeto surge num contexto de crescente visibilidade internacional da investigação chinesa em inteligência artificial, impulsionada por modelos como o DeepSeek e por desenvolvimentos promovidos por grandes tecnológicas como a Alibaba e a ByteDance, reavivando a competição tecnológica com os Estados Unidos.
A inteligência artificial foi também um dos temas centrais da mais recente sessão anual da Assembleia Popular Nacional, realizada em março, na qual Pequim reafirmou a aposta estratégica na integração desta tecnologia em vários setores da economia e na criação de emprego associado.