Um ano depois de várias escolas terem avançado com regras mais apertadas para retirar os telemóveis das salas de aula e dos recreios, o balanço aponta para melhorias no ambiente escolar, mas também revela dificuldades na aplicação da medida.
Em Portugal, o Governo recomendou a proibição do uso de smartphones nos estabelecimentos de ensino para alunos até ao 6.º ano e incentivou as escolas do 3.º ciclo a adotarem medidas para reduzir a utilização destes aparelhos. Uma avaliação apresentada pelo Ministério da Educação indicou uma associação entre a limitação dos telemóveis e menos situações de bullying, menos conflitos e maior socialização entre alunos.
Mais conversa nos intervalos e menos distração nas aulas
Professores ouvidos no âmbito de avaliações semelhantes noutros países onde a medida avançou relatam que o efeito mais visível aconteceu fora da sala de aula: os alunos passaram a interagir mais entre si, a participar em atividades coletivas e a passar mais tempo em espaços como bibliotecas ou zonas de convívio.
No dia a dia das escolas, muitos docentes destacam também uma mudança simples: menos alunos a verificar notificações, jogos ou redes sociais durante as aulas, permitindo uma maior concentração nas tarefas.
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A perceção é semelhante em estudos realizados sobre a implementação de restrições mais abrangentes. Um levantamento do Ministério da Educação brasileiro, que avaliou mais de oito mil escolas, concluiu que a maioria dos gestores associou a medida a maior participação dos estudantes, melhoria da socialização e redução de conflitos.
As notas melhoraram?
A grande questão que acompanhou a discussão sobre a retirada dos telemóveis era saber se a medida teria impacto direto no aproveitamento escolar.
Até agora, a resposta é mais cautelosa: não há evidência forte de que a simples proibição dos smartphones tenha provocado uma subida generalizada das notas. O principal efeito identificado está no comportamento, no clima escolar e na relação entre alunos e professores.
Especialistas defendem que a aprendizagem depende de muitos outros fatores — qualidade do ensino, acompanhamento familiar, condições socioeconómicas, motivação dos alunos e métodos pedagógicos — e que o telemóvel é apenas uma das variáveis.