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Empreiteiros de Hong Kong prometem proibição de fumar em estaleiros após incêndio mortal

Um incêndio, que começou a 26 de novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas

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Nove associações da construção civil de Hong Kong assinaram um compromisso para impôr a proibição total de fumar em estaleiros de obras, após o incêndio mais mortífero na cidade desde 1948.

De acordo com a emissora pública RTHK, a associação de empreiteiros de Hong Kong anunciou hoje ter assinado, juntamente com outros oito grupos, o documento, que pretende reforçar a segurança no setor.

A Associação de Construção de Hong Kong (HKCA, na sigla em inglês) sublinhou que o compromisso prevê “a implementação abrangente da proibição de fumar nos estaleiros de construção”.

Lawrence Ng San-wa, presidente de um dos nove grupos, a Associação de Subempreiteiros da Construção de Hong Kong, disse esperar que este “compromisso público” reforce “a confiança do público” no setor.

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As associações comprometeram-se ainda a respeitar as orientações políticas e os regulamentos do Governo, incluindo no que toca à prevenção de incêndios e outras medidas de segurança em estaleiros de construção.

Este anúncio surge um dia depois de ser conhecida uma proposta do Governo para impor multas de até 400 mil dólares de Hong Kong (44 mil euros) para os empreiteiros que falhem na implementação da proibição de fumar.

O documento elaborado pelo Departamento do Trabalho prevê ainda que os trabalhadores da construção civil podem enfrentar uma multa de três mil dólares de Hong Kong (330 euros) por fumarem em estaleiros.

Um incêndio, que começou a 26 de novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas. Foto: TDM

Em casos de risco catastrófico de incêndio — por exemplo, fumar perto de materiais altamente inflamáveis– o trabalhador estará sujeito a uma multa de 150 mil dólares de Hong Kong (16.500 euros) e uma pena de até seis meses de prisão.

Nestes casos, o empreiteiro poderá enfrentar uma multa de três milhões de dólares de Hong Kong (330.500 euros) e a mesma pena de prisão, refere a proposta, já enviada para o parlamento local.

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O documento clarifica também que a proibição de fumar se aplica a todas as áreas dos estaleiros de construção, sejam elas exteriores ou interiores.

De acordo com a imprensa de Hong Kong, a Comissão de Recursos Humanos do Conselho Legislativo irá começar a analisar a proposta do Governo na segunda-feira.

Um incêndio, que começou a 26 de novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas.

Uma comissão independente de investigação iniciou na quinta-feira as audiências sobre o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde 1948 e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo se espalhasse.

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Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.

Victor Dawes apontou como fatores que levaram ao desastre os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras desligados, a utilização de redes de andaimes não resistentes ao fogo e a cobertura de janelas com placas de espuma.

“No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios destinados a proteger vidas falharam devido a fatores humanos”, lamentou o advogado.

A comissão, liderada por um juiz e criada em dezembro, vai também examinar se existiam problemas sistémicos, como a manipulação de concursos, em obras de manutenção e renovação de edifícios de grande escala.

A polícia da região chinesa deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio de Wang Fuk.

A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo situado em Tai Po, no norte do território.

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