O aumento soma-se às medidas recentes do governo: nas últimas duas semanas, o ISP foi reduzido em 5,3 cêntimos por litro de gasóleo e 3,3 cêntimos por litro de gasolina para compensar o aumento de receita do IVA. Ainda assim, mais de 1.700 postos de abastecimento já praticam preços acima de 2 euros por litro, principalmente de gasóleo, acima do valor recomendado pela ERSE, que indicava 1,95 euros.
O impacto direto no bolso das famílias é imediato. Por exemplo, uma família que abasteça 50 litros por semana pode ver a fatura do combustível subir 20 euros por semana, o que corresponde a cerca de 80 euros por mês se os preços continuarem nos níveis atuais. Este aumento pode representar um peso significativo nos orçamentos domésticos, sobretudo para famílias que dependem do carro para deslocações diárias ou têm transportes essenciais ligados ao consumo de combustível.
Economistas alertam que a tendência de subida ainda poderá intensificar-se, refletindo a volatilidade dos mercados internacionais de petróleo e o impacto de ajustes fiscais. Enquanto isso, consumidores enfrentam a difícil escolha entre reduzir deslocações, procurar postos mais baratos ou absorver o impacto direto nas despesas mensais.
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Especialistas em consumo e associações de automobilistas alertam que este aumento sucessivo dos combustíveis pode ter efeitos secundários em toda a economia. Além do impacto direto no orçamento familiar, há um efeito cascata sobre os preços de produtos e serviços que dependem do transporte, desde alimentos até transporte público e entregas de mercadorias. Este cenário reforça a necessidade de planeamento financeiro cuidadoso e de procura ativa por alternativas mais económicas, como carros elétricos, transportes coletivos ou combustíveis mais baratos.
O governo tem reiterado que acompanha de perto a evolução do mercado e que continuará a intervir pontualmente através de reduções de impostos sobre os combustíveis para aliviar os efeitos da inflação sobre as famílias. Contudo, a volatilidade do petróleo no mercado internacional, aliada à elevada procura interna, sugere que os portugueses deverão manter-se preparados para novas flutuações nos preços nas próximas semanas, com impactos significativos no dia a dia.