A comparação com a média europeia expõe duas realidades paralelas. Por um lado, os preços “antes de impostos” ajudam a perceber a componente de custos de produto e logística: na gasolina, Portugal apresenta 0,746 €/l, face a 0,690 €/l na UE-27 – uma diferença de 5,6 cêntimos por litro. Por outro, é a carga fiscal que acaba por cimentar a divergência. Na gasolina 95 simples, os impostos representam 56,1% do preço final em Portugal, face a 55,2% na média europeia. Esta diferença aparentemente pequena ganha escala no preço final, sobretudo quando comparada com mercados próximos como o espanhol.
Espanha é, aliás, o espelho mais revelador. No trimestre em análise, o preço médio da gasolina com impostos foi 1,485 €/l do lado de lá da fronteira – menos 21,3 cêntimos por litro do que em Portugal. Mas, retirando a componente fiscal, a ordem inverte-se: Portugal apresentou um preço ligeiramente inferior ao espanhol (0,746 €/l contra 0,754 €/l). Ou seja, o diferencial que o consumidor paga na bomba nasce quase por inteiro do desenho fiscal português. Esta assimetria também se observa no gasóleo, ainda que com menor intensidade: Portugal cobrou 1,570 €/l, mais 6,3 cêntimos do que a média da UE (1,507 €/l), e 15,2 cêntimos acima de Espanha. Sem impostos, porém, Portugal volta a estar mais barato do que o vizinho em 2,0 cêntimos por litro.
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