Início » Reforma laboral avança para o Parlamento com mais de 50 alterações e reforço de direitos parentais

Reforma laboral avança para o Parlamento com mais de 50 alterações e reforço de direitos parentais

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a proposta de revisão da legislação laboral que integra mais de 50 alterações face ao anteprojeto inicial, incluindo um conjunto significativo de medidas propostas pela UGT. O diploma segue agora para apreciação no Parlamento, numa fase que o Executivo considera decisiva para a obtenção de consensos políticos.

Em conferência de imprensa, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, explicou que a reforma tem como ponto de partida o anteprojeto “Trabalho XXI”, apresentado em julho de 2025, sublinhando que o processo negocial em sede de Concertação Social se prolongou por nove meses, sem resultar num acordo formal.

Segundo a governante, o texto agora aprovado é “substancialmente diferente” do documento inicial, incorporando contributos de confederações patronais e da UGT, com 14 medidas acolhidas desta central sindical.

Entre as principais alterações está o reforço das licenças parentais, prevendo-se o pagamento a 100% da licença parental inicial partilhada durante os primeiros seis meses. Em caso de interrupção da gravidez, a proposta estabelece uma licença entre 14 e 30 dias para a mãe e três dias de falta justificada para o pai. O objetivo, segundo a ministra, é aprofundar a conciliação entre a vida profissional e familiar.

Na organização do tempo de trabalho, o Governo mantém a aposta no banco de horas individual por acordo entre trabalhador e empregador, permitindo a compensação de horas num prazo até seis meses. A proposta inclui ainda o reforço de dois dias de férias e novos apoios à assistência a filhos em situações de doença oncológica.

Entre as novidades consta também a criação de um regime de jornada contínua para pais e avós com crianças até aos 12 anos, possibilitando, mediante acordo, a redução da pausa para almoço e a saída antecipada do local de trabalho.

No plano das compensações, a indemnização por despedimento coletivo sobe de 14 para 15 dias por cada ano de trabalho, sendo igualmente reforçadas as indemnizações em casos de despedimento ilícito sem reintegração, que passam a situar-se entre 45 e 60 dias por ano de trabalho. A proposta elimina ainda a obrigação de devolução das retribuições intercalares durante processos de despedimento.

Leia mais: Médicos portugueses juntam-se à greve geral em protesto contra reforma laboral e condições no SNS

A reforma alarga o regime de não reintegração a empresas de todas as dimensões e mantém, nos contratos a termo, a duração mínima de um ano, fixando um limite máximo de três anos para contratos a termo certo e cinco anos para contratos a termo incerto. O Governo propõe igualmente a revogação da proibição de outsourcing, argumentando que a medida não tem paralelo no contexto europeu.

O diploma prevê ainda alterações na formação profissional, reduzindo para 30 horas anuais a obrigação nas pequenas empresas, e introduz regras sobre o uso da inteligência artificial, defendendo que não pode ser proibida, mas que decisões laborais não podem ser tomadas exclusivamente por algoritmos.

Em matéria de greve, a proposta alarga o âmbito dos serviços mínimos, incluindo setores que prestem apoio a doentes, crianças institucionalizadas, pessoas com deficiência ou idosos, cabendo ao Ministério do Trabalho ou a tribunal arbitral definir a sua dimensão.

No final, Maria do Rosário Palma Ramalho apelou a um debate parlamentar “sem preconceitos”, defendendo que o processo legislativo está “a meio do caminho” e que cabe agora aos partidos completar a reforma. Caso a proposta seja rejeitada, afirmou, “é a democracia a funcionar”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website