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Guiné-Bissau é o país com maior quebra no índice de liberdade da Freedom House

O país africano, considerado “Parcialmente Livre”, perdeu oito pontos para somar 33 numa escala de 100, o que a organização atribui à instabilidade política, interferência militar e fragilidade institucional.

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A Guiné-Bissau registou a maior quebra mundial na avaliação feita no relatório anual da organização norte-americana Freedom House publicado hoje, devido ao golpe militar que perturbou as eleições gerais e presidenciais de 2025.

O relatório, intitulado “Liberdade no Mundo 2026: A Sombra Crescente da Autocracia”, avalia direitos políticos e liberdades civis em 195 países e 13 territórios.

O país africano, considerado “Parcialmente Livre”, perdeu oito pontos para somar 33 numa escala de 100, o que a organização atribui à instabilidade política, interferência militar e fragilidade institucional.

Um autodenominado Alto Comando Militar protagonizou um golpe de Estado na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, realizadas em 23 de novembro de 2025.

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Os militares alegaram como fundamento a iminência de uma guerra civil no país.

No relatório hoje publicado refere-se que “homens armados invadiram o escritório da comissão eleitoral e destruíram os boletins de voto”.

Domingos Simões Pereira, que lidera o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) há 12 anos, foi detido no golpe militar de 26 de novembro de 2025 e encontra-se ainda em prisão domiciliária.

Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana e CPLP, que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.

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No continente africano, Tanzânia, Burkina Faso e Madagáscar – estes dois últimos têm em comum com a Guiné-Bissau estarem sob regimes militares – foram outros países que também registaram fortes retrocessos.

Oficiais militares derrubaram o Governo e Presidente eleito em Madagáscar em outubro de 2025, elevando para nove o número total de países africanos que sofreram um golpe de Estado desde 2019.

No Burkina Faso, sob regime militar desde um golpe de Estado em 2022, as eleições foram adiadas por tempo indeterminado.

As forças de segurança e milícias próximas da junta são acusadas de massacres e deslocação forçada de civis de etnia fulani, enquanto insurgentes islâmicos atacaram pessoas de outras crenças e impuseram práticas religiosas nas áreas sob o seu controlo, refere-se no relatório.

Domingos Simões Pereira, que lidera o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) há 12 anos, foi detido no golpe militar de 26 de novembro de 2025 e encontra-se ainda em prisão domiciliária.

A Tanzânia registou a segunda deterioração mais expressiva em direitos e liberdades em 2025, e afundou-se ainda mais na categoria “Não Livre”.

Segundo o relatório, “a Presidente em exercício, Samia Suluhu Hassan, foi declarada vencedora de uma eleição marcada pela exclusão de candidatos da oposição, restrições à imprensa, desaparecimentos forçados de opositores políticos e violência generalizada contra manifestantes que resultou em pelo menos mil mortes”.

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Mali, República Central Africana, Burundi e Níger são dos países com maior declínios em termos de liberdade, enquanto a Costa do Marfim, Tunísia, Togo e Malaui registaram progressos significativos.

Cabo Verde (92 pontos), São Tomé e Príncipe (84 pontos), ambos considerados países “Livres”, e Angola (28 pontos), considerado “Não Livre”, não registaram alterações relativamente ao ano anterior.

Timor-Leste e Moçambique subiram ambos um ponto, para 73 pontos e 42 pontos numa escala de 100, respetivamente.

No relatório da Freedom House concluiu-se que, no geral, a liberdade mundial diminuiu pelo vigésimo ano consecutivo em 2025, resultado de golpes militares, violência contra manifestantes pacíficos, ameaças aos direitos civis e repressão por parte de regimes autoritários.

Segundo a avaliação, 54 países registaram retrocessos nos direitos políticos e liberdades civis, enquanto apenas 35 melhoraram, pelo que apenas 21% da população mundial vive em países considerados “Livres”, uma queda acentuada face aos 46% registados há 20 anos.

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