Em 14 de dezembro, após a reunião de chefes de Estado sobre o golpe de Estado ocorrido em 26 de novembro na Guiné-Bissau, foi anunciado que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) iria impor sanções a indivíduos ou grupos que entrassem no processo de transição, sendo que o país já estava suspenso da organização.
“A CEDEAO tem 500 homens na Guiné-Bissau e não consegue dar segurança a líderes políticos para que haja liberdade no país”, lamentou o ativista em entrevista à Lusa após um grupo de guineenses ter estado, na manhã de hoje, a realizar uma vigília à frente da Assembleia da República, em Lisboa.
Após a reunião de chefes de Estado, a “CEDEAO enumerou um conjunto de medidas que até o momento não conseguiu implementar”, indicou.
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Para Quadé, a atitude da organização acaba por ser contraditória e revela inação, pois, tendo pessoas no país, não precisa de mobilizar mais meios, pode atuar no terreno. No entanto, “não lhes dá orientações”.
Mariano Quadé acrescentou que outros organismos internacionais, como as Nações Unidas, a União Europeia, a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) criticaram o golpe, e que, por isso, não se compreende também a sua inércia.
Na vigília desta manhã, foi entregue aos deputados socialistas Eurico Brilhante Dias e Luís Testa, que foram ao local, um memorando que sintetizava “um pouco o evoluir da situação política, cada vez mais dramática”, do país, indicou.
Os cidadãos guineenses em Portugal têm ainda a esperança que o Governo e a Assembleia da República consigam desempenhar um papel decisivo na retoma da normalidade do país africano, referiu o dirigente.
Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a CEDEAO, União Africana e a CPLP, que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.
A CPLP cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de fevereiro, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu temporariamente a presidência da organização, que era detida por Bissau.
A CEDEAO e a União Africana enviaram missões à Guiné-Bissau, que estão a mediar o processo de transição no país, que os militares definiram pelo período máximo de 12 meses.