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EUA procuram alianças no Brasil para o fornecimento de metais raros

Os Estados Unidos estão a reforçar alianças no Brasil para estabelecer novas cadeias de abastecimento de terras raras, afirmou um responsável da embaixada, em meio a novas tensões diplomáticas entre Washington e Brasília

AFP

Autoridades norte-americanas assinaram, na quarta-feira, um memorando de entendimento com o estado de Goiás, no centro-oeste do país, uma região rica em metais de terras raras — um grupo de 17 metais pesados considerados essenciais para a produção de bens de alta tecnologia.

“Estamos a explorar possibilidades de colaboração com atores e líderes regionais no Brasil e mantemos contacto com o governo federal, convidando-o a participar”, afirmou um porta-voz da Embaixada dos EUA, sob condição de anonimato.

“Consideramos o Brasil um local com potencial para investimentos de milhares de milhões de dólares. Já estamos bem avançados, com 600 milhões de dólares [cerca de 524 milhões de euros] investidos” em dois projetos em Goiás e um no estado nordestino do Piauí, disse o responsável.

Os comentários foram feitos num fórum sobre metais críticos organizado em São Paulo pela embaixada dos EUA e pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

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Os Estados Unidos foram representados por funcionários de alto nível, incluindo David Copley, um antigo executivo do setor mineiro que agora ocupa o cargo de diretor sénior do Conselho de Segurança Nacional de Trump.

O Governo brasileiro não enviou delegados. No mês passado, os Estados Unidos chegaram a acordos com outros países da América Latina – incluindo a Argentina e o México -, bem como com a União Europeia e o Japão, num esforço para diversificar o seu abastecimento de metais críticos num mercado amplamente dominado pela China.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses elementos, utilizados em tudo, desde veículos elétricos, painéis solares e smartphones até motores a jato e mísseis guiados. O Governo do Presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em fevereiro, um acordo de cooperação sobre metais críticos com a Índia.

Brasília tem mantido conversações com Washington sobre metais críticos, mas nenhum acordo foi assinado a nível nacional.

“Estamos plenamente conscientes do nosso potencial no que diz respeito às terras raras pesadas. Não estamos de braços cruzados; estamos a fazer exatamente o que qualquer líder governamental no Brasil deveria estar a fazer”, disse o governador conservador de Goiás, Ronaldo Caiado, aos jornalistas.

Após recentes melhorias nas relações, os laços diplomáticos entre o Brasil e Washington ficaram novamente tensos na semana passada, depois de Lula ter impedido o funcionário do Departamento de Estado, Darren Beattie, de entrar no país. Beattie, que iria participar no fórum sobre terras raras, também planeava encontrar-se com o ex-presidente preso Jair Bolsonaro, um aliado de Trump que foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Brasília sustentou que a visita poderia ser considerada uma interferência política num ano eleitoral, em que Lula se candidata a um quarto mandato. O seu principal rival será, previsivelmente, o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro.

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