Cuba voltou a sofrer um apagão de dimensão nacional, o quinto desde o início do ano, agravando uma crise energética que continua a afetar milhões de pessoas. Em reação ao novo colapso da rede elétrica, a Associação Amizade Portugal-Cuba manifestou solidariedade com a população cubana e classificou a situação como “desesperante”.
Em declarações à TSF, a vice-presidente da associação, Isalina Pereira, descreveu as dificuldades diárias enfrentadas pelos habitantes da ilha devido à frequência dos cortes de eletricidade. “É muito complicado as pessoas não saberem quando é que podem cozinhar, limpar ou fazer as suas coisas.”
Segundo a responsável, os impactos vão muito além da vida doméstica e afetam também setores essenciais da economia. “O impacto chega a outras áreas da economia, como a agricultura, porque não há gasóleo para as máquinas.”
Perante a repetição dos apagões, Cuba tem vindo a aplicar um plano de contingência destinado a garantir o funcionamento dos serviços considerados prioritários, como hospitais, centros de saúde, sistemas de abastecimento de água e estruturas de proteção civil. “Há um conjunto de serviços que estão em primeiro plano e que esses são priorizados, mas tudo o resto fica numa situação muito difícil.”
A associação recebeu recentemente um relatório elaborado pelas autoridades cubanas que descreve o desgaste acumulado da população devido às falhas constantes no fornecimento de energia.
Leia mais: Povo pede ao Presidente Trump que invada. Cubanos protestam contra regime do país
Isalina Pereira destacou uma das passagens do documento, que alerta para as consequências da instabilidade prolongada. “O problema deixa de ser a falta de energia elétrica. A ciência confirma que tirar o descanso, a estabilidade e a previsibilidade de um ser humano de forma prolongada é destruir de maneira silenciosa e sistemática a sua saúde física, a mente e a sua liberdade.”
Para a dirigente da associação, esta descrição retrata o impacto real da crise energética sobre a população.”Este relatório revela praticamente tudo sobre o que esta realidade provoca nas pessoas.”
O Ministério da Energia de Cuba anunciou que já ativou os protocolos para restabelecer o fornecimento de eletricidade, depois de um novo colapso da rede nacional. O apagão ocorreu menos de 24 horas depois de cinco das 15 províncias cubanas terem ficado sem energia.
Desde o início de 2026, Cuba registou cinco apagões nacionais, três dos quais durante o mês de julho. No total, desde o final de 2024, o país já sofreu 11 colapsos gerais da rede elétrica.
O Governo cubano atribui a deterioração do sistema elétrico às sanções impostas pelos Estados Unidos e às dificuldades em importar combustível e equipamento. Por seu lado, a Administração norte-americana responsabiliza Havana pela degradação das infraestruturas e pela gestão económica do país.