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Fundação quer colocar Timor-Leste nas orientações da OMS para combate à dengue

A fundação de Hong Kong GX quer incluir nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) um projeto que inverteu em Timor-Leste o rápido crescimento da dengue no Sudeste Asiático, disse à Lusa o presidente.

Desde o início de 2024, a fundação GX instalou mais de 2.500 lâmpadas antimosquitos e distribuiu quase 73 mil fitas adesivas para apanhar insetos, perto de 85 mil testes rápidos de deteção da dengue e cerca de 900 redes antimosquitos, nos 14 municípios timorenses.

“Estamos a tentar incluir este método físico de matar mosquitos e controlar a propagação da dengue e de outras doenças nas orientações da OMS”, disse Leung Chun-ying, em entrevista à agência Lusa.

De acordo com dados oficiais, Timor-Leste registou no primeiro trimestre de 2025 o menor número de novas infeções por dengue em quatro anos, sem qualquer caso em cinco municípios do país.

No entanto, o número de infeções voltou a aumentar este ano, ultrapassando 1.300 casos em pouco mais de um mês – sobretudo na capital Díli – e causando sete mortes.

Algo que levou a GX a enviar medicamentos para o Hospital Nacional Guido Valadares, assim como mais 5.500 testes rápidos, 1.300 redes antimosquitos e 50 mil fitas adesivas para todo o território timorense.

Apesar do aumento acentuado de casos de dengue em 2026 em Timor-Leste, Leung defendeu que houve “grandes avanços”, nomeadamente em comparação com países como a vizinha Indonésia ou Singapura.

O fundador da GX sublinhou que o sucesso da organização no controlo dos mosquitos em Timor-Leste já foi reconhecido num artigo publicado, em março de 2025, pela revista médica Lancet.

No fim de semana passado, revelou Leung, a Lancet aceitou um segundo artigo sobre o trabalho da fundação, com “uma cobertura mais alargada, também fora de Timor-Leste”.

Isto porque a GX, que até então se dedicava sobretudo a cirurgias de cataratas, exportou os métodos de controlo dos mosquitos aplicados em Timor-Leste para as Honduras, Djibuti, Laos, Camboja, Vanuatu e Fiji.

Apesar de reconhecer que “são países diferentes, com climas diferentes e estações chuvosas diferentes”, Leung sublinhou que o trabalho da fundação tem “dois princípios universais”.

“Se não houver mosquitos, não há doenças transmitidas por mosquitos. E se matarmos os mosquitos mais depressa do que eles se conseguem reproduzir, então deixará de haver mosquitos”, explicou o dirigente.

Leung defendeu que a aposta em inseticidas – que podem causar problemas de saúde – falhou, até porque os mosquitos “desenvolvem resistência aos produtos químicos”.

Em agosto, o Governo timorense deu início ao lançamento de mosquitos infetaso com a bactéria Wolbachia, que reduz a transmissão de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Mas Leung lembrou que “ainda não se conhecem todas as consequências ecológicas” deste método, que é também “extremamente caro”. “Estamos a falar cinco milhões de dólares dos EUA [4,2 milhões de euros] por projeto”, disse.

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