O Governo garante já para este ano 11 mil milhões de patacas – vindos da Reserva Financeira – às quais espera juntar 9 mil milhões vindos do setor privado. No total, 20 mil milhões de patacas para alavancar projetos em áreas com inovação científica e tecnologias de ponta.
Tam Chi Neng, assessor do gabinete de Tai Kin Ip, explicou que o fundo atua como orientador estratégico, e não como acionista de controlo. Para o assegurar, o investimento público está sujeito a um limite de concentração, fixando a participação acionista em qualquer projeto individual entre 20% e 30%.
Definidos como um fundo “paciente”, os “primeiros cinco anos são considerados período de investimento”, sendo “os dez anos seguintes” o tempo em que o Fundo planeia a sua retirada. O capital nessa altura recuperado, com a venda das ações detidas pelo Fundo, “pode servir para alavancar novos projetos”, explicou Tam, antevendo uma lógica circular de participação contínua em novos projetos.
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O Fundo de Orientação Governamental terá uma estrutura dividida em fundos mães e subfundos; comandados por “gestores experientes e com provas dadas”, que vão agora ser recrutados; explicam os governantes presentes na conferência de imprensa.
A supervisão máxima compete ao Chefe do Executivo, mas a gestão quotidiana é delegada numa empresa pública. Esta entidade selecionará gestores de fundos especializados para administrar os fundos-mãe subjacentes à estrutura. Estes profissionais ficarão responsáveis por todo o ciclo de investimento – desde a identificação de oportunidades e acompanhamento do crescimento – antes de recomendarem ao Governo uma estratégia de saída quando os projetos atingirem estabilidade comercial.
Para além da inovação científica e tecnológica exigida por este Fundo, o Governo dará “prioridade a empresas de Macau e à interação que eles promovam entre Macau e Hengin”, assumiu Tai Kin Ip. Embora se possam candidatar empresas da Grande Baía; ou, por exemplo, dos Países da Língua Portuguesa, só podem fazê-lo se estabelecerem sede em Macau e se tiverem equipas de trabalho cá estabelecidas. O Governo assume também aqui a estratégia de atrair capital e know-how estrangeiro.
O Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau, Vong Sin Man, explicou que vários critérios foram seguidos para definir este montante – e não outro. Por um lado, “estou convencido de que vamos angariar bem mais que 9 mil milhões de patacas no setor privado”; por outro, analisados os montantes da Reserva Financeira, as necessidades de diversificar a economia, as sinergias possíveis entre Macau e Hengqin.., entendemos que este montante é nesta fase suficiente”.