A China pretende estabelecer, até 2030, um sistema moderno para a indústria do carvão, procurando equilibrar a segurança energética com a transição para uma economia de baixo carbono, segundo um novo plano de desenvolvimento.
O plano, divulgado na segunda-feira (10) pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pela Administração Nacional de Energia, prevê que a China acelere a otimização e modernização da estrutura da indústria do carvão durante o período do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030), numa altura em que se prevê que o consumo de carvão atinja o pico.
O documento estabelece padrões mais exigentes para o acesso à exploração dos recursos de carvão, um maior investimento no desenvolvimento de capacidade produtiva avançada, a eliminação ordenada de capacidade obsoleta e ineficiente e uma abordagem prudente à exploração de recursos de carvão situados em grandes profundidades.
Até 2030, as grandes minas modernas deverão representar 87% da capacidade total de produção de carvão da China, enquanto as minas inteligentes deverão corresponder a 75%. As cinco principais bases de produção e abastecimento de carvão do país deverão assegurar mais de 80% da produção nacional, segundo o plano.
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Uma mina inteligente é uma exploração mineira digitalmente conectada e altamente automatizada, que utiliza inteligência artificial e dados em tempo real para otimizar as operações e reduzir a intervenção humana e os riscos de acidentes.
O carvão continua a ser um dos pilares da segurança energética da China, enquanto o país acelera a transição energética. Pequim pretende atingir o pico do consumo de carvão até 2030 e aumentar para 25% a percentagem das fontes de energia não fósseis no consumo total de energia, atribuindo maior importância a uma produção e utilização do carvão mais limpas, eficientes e inteligentes.
Segundo Qu Yang, investigador do Instituto de Investigação de Planeamento e Design da Indústria do Carvão, o novo plano deverá contribuir para uma maior concentração da indústria entre 2026 e 2030. As minas de menor dimensão, mais propensas a acidentes, e aquelas cujos recursos se encontram esgotados deverão abandonar o mercado a um ritmo mais acelerado.
O plano prevê também a promoção ativa da substituição do carvão por alternativas mais limpas, uma melhoria significativa da qualidade do carvão comercial, a aceleração da transformação e modernização da produção de eletricidade a partir do carvão e uma expansão ordenada da utilização do carvão como matéria-prima industrial.
O documento apela ainda ao desenvolvimento e aproveitamento em maior escala do metano das jazidas de carvão, que pode contribuir simultaneamente para melhorar a segurança das minas, aumentar a oferta de energia limpa e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
De acordo com um anexo ao plano, a China pretende produzir 26 mil milhões de metros cúbicos de metano das jazidas de carvão e aproveitar 6,5 mil milhões de metros cúbicos de gás das minas de carvão até 2030.