A Ultimate Robot Knockout Legend (URKL), organizada pela empresa chinesa EngineAI, decorrerá até dezembro, seguindo um formato de competição por etapas. As equipas participantes recebem gratuitamente robôs humanoides T800, o que lhes permite desenvolver e testar soluções tecnológicas em contexto real, segundo informou a organização.
O T800 é um robô humanoide desenvolvido pela EngineAI, capaz de executar movimentos marciais complexos, como rotações aéreas de 360 graus e pontapés laterais. A empresa sublinha que a integração inovadora entre tecnologia e desporto se está a afirmar como uma nova tendência na modernização industrial.
De acordo com a EngineAI, a competição inspira-se no conceito de “kung fu robótico chinês” e pretende criar um formato único que funcione como ponte entre a cultura chinesa e a cultura popular internacional, contribuindo simultaneamente para o desenvolvimento industrial global com soluções de origem chinesa.
Especialistas chineses consideram que iniciativas deste tipo não só evidenciam os progressos na indústria dos robôs humanoides, que atravessa uma fase de rápido crescimento, como também ajudam a alargar os cenários de aplicação prática desta tecnologia.
O analista Pan Helin, sediado em Pequim, afirmou que estas competições aumentam a visibilidade pública dos robôs humanoides e ajudam a explorar novas utilizações potenciais. Segundo o especialista, apesar dos avanços, os robôs humanoides continuam a enfrentar limitações tecnológicas e operacionais, sendo essencial a sua utilização em ambientes reais para acelerar a evolução do setor.
Pan destacou ainda que eventos deste género podem ter impactos positivos no mercado do entretenimento e das performances, funcionando como um passo necessário antes da adoção mais ampla destes sistemas em fábricas ou no contexto doméstico.
Por sua vez, Tian Feng, antigo diretor do Instituto de Investigação da Indústria da Inteligência da SenseTime, salientou que a disponibilização gratuita dos robôs T800 reduz as barreiras à investigação e desenvolvimento, sobretudo para empresas de menor dimensão, promovendo a cooperação entre indústria, universidades e centros de investigação.
Tian sublinhou também o forte potencial mediático dos combates entre robôs, que ajudam a desconstruir a imagem dos robôs como “máquinas frias” e despertam o interesse das gerações mais jovens pela tecnologia avançada. Acrescentou que a competição serve como um campo de testes exigente para capacidades como controlo de movimentos, equilíbrio dinâmico e resistência ao impacto, bem como para componentes críticos dos robôs.
Segundo o especialista, experiências deste tipo podem reduzir em mais de 30% os ciclos de iteração tecnológica, acelerando a validação de parâmetros testados em laboratório. No entanto, alertou que os cenários de combate exigem desempenhos extremos e de curta duração, o que pode afastar a otimização dos robôs das aplicações industriais ou de serviços mais comuns.
Apesar disso, Tian defendeu que o papel da competição é o de “lançar sementes” para o futuro, num contexto em que as aplicações de consumo ainda dependem de reduções de custos e da consolidação de necessidades claras, como o acompanhamento de idosos, cuidados materno-infantis ou reabilitação de pacientes.
Impulsionados pelos rápidos avanços na inteligência incorporada, os robôs humanoides chineses estão a evoluir a um ritmo acelerado, expandindo-se tanto para aplicações industriais como domésticas. De acordo com o Instituto Chinês de Eletrónica, o mercado de robôs humanoides na China deverá atingir 870 mil milhões de yuans até 2030, segundo dados divulgados pela agência Xinhua.