O IPC avalia 182 países e territórios este ano com base nos níveis percebidos de corrupção no setor público, numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro). Cabo Verde obteve 62 pontos, tornando-se o país da CPLP com melhor classificação, seguido por Portugal com 56 pontos, que caiu um ponto em relação ao ano passado. Estes são os únicos dois países que mantêm pontuações acima de 50 no CPI.
Outros países da CPLP receberam pontuações mais baixas: Timor-Leste (45), São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35), Angola (32) – com pontuações iguais ou superiores à média de 32 na África Subsaariana – Guiné-Bissau (21), Moçambique (21) e Guiné Equatorial (15).
Este ano, a média global do IPC caiu pela primeira vez em mais de uma década para apenas 42 em 100. O relatório da ONG afirma que “a grande maioria dos países não está a conseguir manter a corrupção sob controlo”, destacando que “122 dos 182 países têm uma pontuação inferior a 50 no índice”.
Para além, o número de países com pontuação superior a 80 diminuiu de 12 há uma década para apenas cinco este ano, enfatizando “uma tendência preocupante de democracias que apresentam uma deterioração da perceção da corrupção”.
Apesar dos desenvolvimentos positivos, como o aumento significativo de 17 pontos de Angola no IPC desde 2015 devido a medidas anticorrupção, o relatório observa um sentimento predominante entre a população: “Muitos angolanos classificam os esforços anticorrupção do Governo como insuficientes e acreditam que as pessoas comuns correm o risco de sofrer represálias por denunciarem a corrupção”.
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Timor-Leste também se destaca pela sua melhoria consistente e estatisticamente significativa desde 2012, devido a reformas estruturais que reforçaram as instituições de supervisão. No entanto, esses países ainda se encontram na faixa inferior do índice, indicando “muito espaço para melhorias”.
Por outro lado, Moçambique registou um declínio de 10 pontos na última década. A ONG cita números oficiais que relatam “334 novos casos de corrupção no primeiro trimestre de 2025, a um custo de cerca de 4,1 milhões de dólares norte americanos (cerca de 3,3 milhões de euros), o que demonstra a magnitude do desafio”.
O escrutínio das ações do governo pela sociedade civil e pela imprensa, conforme avaliado pelo relatório, fornece aos eleitores as informações necessárias para responsabilizar as práticas corruptas e recompensar a integridade nas urnas. O Brasil é destacado como um dos países “particularmente perigosos para os jornalistas que reportam sobre corrupção”, ao lado da Arábia Saudita, do Peru, da Índia, do México, do Paquistão e do Iraque.
François Valérian, presidente da Transparência Internacional, afirma que as investigações e experiências da organização como movimento global anticorrupção “mostram um plano claro para responsabilizar o poder pelo bem comum, por meio de processos democráticos e supervisão independente para uma sociedade civil livre e aberta”.
“Numa altura em que assistimos a um perigoso desrespeito pelas normas internacionais por parte de alguns Estados, apelamos aos Governos e aos líderes para que atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades para proporcionar um futuro melhor às pessoas em todo o mundo”, enfatiza a organização.