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Família de Jimmy Lai pede intervenção dos Estados Unidos e Reino Unido

Família do fundador do extinto jornal Apple Daily classifica a decisão judicial como uma farsa. Chefe do Executivo de Hong Kong afirma que há "provas esmagadoras" que justificam a pena de 20 anos aplicada a Jimmy Lai por crimes relacionados com a segurança nacional.

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A família de Jimmy Lai reagiu de forma contundente à decisão judicial, afirmando que a sentença mancha de forma duradoura a reputação internacional do sistema judicial de Hong Kong. Em declarações por videoconferência, Claire Lai considerou tratar-se da pena mais severa aplicada ao abrigo da Lei de Segurança Nacional, descrevendo-a como um ataque deliberado à liberdade de expressão.

O filho mais velho, Sebastien Lai, descreveu a decisão como uma farsa e uma pena de morte encapotada, atendendo às condições de detenção e ao estado de saúde do pai, que sofre de diabetes e problemas cardiovasculares.

A família apelou à intervenção dos Estados Unidos e do Governo britânico, lembrando que Jimmy Lai possui cidadania britânica e defendendo que a normalização das relações com a China não deve avançar enquanto o ativista permanecer preso.

Para a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a condenação de Jimmy Lai representa mais do que uma decisão judicial individual, constituindo um “aviso” claro não só para Hong Kong, mas também para Macau. Em declarações à agência Lusa, em Londres, o diretor-geral da RSF, Thibaut Bruttin, classificou o caso como um ponto de viragem, sublinhando que a repressão exercida em Hong Kong tende a ter um efeito intimidatório imediato no território vizinho.

“O destino das duas regiões administrativas especiais está ligado. Historicamente, Hong Kong beneficiou de uma imprensa mais robusta e independente do que Macau, mas qualquer sinal de endurecimento num território acaba por influenciar o outro”, afirmou Bruttin. Para a organização, a pena aplicada ao empresário de 78 anos foi “calculada” e concebida para servir de exemplo, com o objetivo de dissuadir jornalistas, editores e ativistas de questionarem a autoridade.

“Provas esmagadoras” contra Jimmy Lai

Na leitura da sentença, o coletivo de juízes considerou que Lai foi o “cérebro e força motriz” por detrás do conluio com forças externas e publicação de materiais considerados sediciosos.

Agências do Governo central chinês em Hong Kong e autoridades locais manifestaram apoio à decisão. O Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK), John Lee, afirmou que a pena aplicada demonstra que o Estado de Direito é respeitado e que a justiça foi feita, considerando que o arguido “traiu o país e prejudicou a RAEHK”, causando danos aos interesses nacionais e do território. Segundo Lee, a condenação assentou em “provas esmagadoras” e reflete a “robustez do sistema judicial de Hong Kong”.

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O secretário para a Segurança da RAEHK, Tang Ping-keung, declarou que a sentença reflete a gravidade dos crimes cometidos, acusando Lai e o seu grupo de terem difundido informações falsas ao longo dos anos e de continuarem as atividades ilegais mesmo após a entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional.

Tang sublinhou que o julgamento público, que decorreu ao longo de 156 dias, envolveu a análise de milhares de provas e documentos processuais, defendendo que o processo foi conduzido de forma aberta, rigorosa e com salvaguarda dos direitos legais do arguido.

Também o Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEHK considerou que a sentença demonstra a imparcialidade judicial e a determinação das autoridades em punir, nos termos da lei, atos que coloquem em causa a segurança nacional. O Gabinete para a Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong afirmou que “a pena corresponde ao crime.”

Já o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEHK apelou aos meios de comunicação estrangeiros para respeitarem a independência judicial de Hong Kong e evitarem politizar o caso.

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