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Revitalizar o Terminal Marítimo da Taipa

Desde a abertura da Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, as chegadas por via marítima têm vindo a diminuir de forma contínua e os serviços de ferry entre Hong Kong e Macau foram drasticamente reduzidos, pondo fim à era de grande movimento nos terminais marítimos. O Terminal Marítimo da Taipa, construído com um investimento superior a 3 mil milhões de patacas, regista atualmente um fluxo muito reduzido de passageiros.

O presidente do Instituto de Gestão de Macau, Samuel Tong Kai Chung, defende que, numa altura em que as infraestruturas de transporte terrestre na costa leste do Delta do Rio das Pérolas (DRP) estão cada vez mais desenvolvidas – reduzindo a procura por viagens marítimas -, Macau poderia apostar na criação de rotas marítimas para a costa oeste do DRP e lançar diversas opções de turismo e entretenimento náutico para aumentar a afluência ao terminal e diversificar as escolhas dos visitantes.

Dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que, entre janeiro e outubro deste ano, Macau recebeu 33,1435 milhões de visitantes, um aumento homólogo de 14.1% e equivalente a 99.2% do registado no mesmo período de 2019. No entanto, as chegadas por via marítima foram apenas 3,2478 milhões, menos 5.2% em termos anuais. Este número traduz uma quebra de quase 40% face aos 5,391 milhões de 2019 e uma queda acentuada de 63.84% em comparação com o pico de 8,9825 milhões registado no mesmo período de 2018, antes da abertura da ponte.

Segundo Samuel Tong, embora o Terminal Marítimo da Taipa tenha sido concebido como uma infraestrutura de transporte, poderia considerar-se a introdução de mais elementos comerciais para alargar as fontes de receita. Apontou o exemplo do Aeroporto Internacional de Macau, também uma infraestrutura de transporte, que ao longo da última década tem vindo a otimizar as suas valências comerciais, aumentando o fluxo de passageiros e enriquecendo a oferta comercial para reforçar as receitas não-aeronáuticas. No ano passado, estas representaram mais de 50% do rendimento total do aeroporto.

Para integrar espaços comerciais no terminal, é primeiro necessário aumentar a sua popularidade e taxa de utilização. Inspirando-se em exemplos internacionais, Tong recorda que os terminais marítimos podem funcionar não só como plataformas de transporte, mas também como destinos turísticos e de lazer. Sendo uma cidade costeira, Macau ainda não desenvolveu plenamente o seu potencial marítimo: o turismo náutico tem evoluído lentamente e continua pouco desenvolvido. Poderiam ser criadas diferentes rotas de passeios marítimos para oferecer aos visitantes uma experiência alternativa, ou acrescentar viagens durante os espetáculos de fogo-de-artifício, ampliando as opções para residentes e turistas.

No que diz respeito ao transporte de passageiros, com a abertura da Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau e do corredor Shenzhen–Zhongshan, as deslocações terrestres a partir de cidades da costa leste do DRP tornaram-se mais cómodas, diminuindo a procura por transporte marítimo. Por isso, Tong sugere o desenvolvimento de novas rotas para Nansha, em Guangdong, e para outras cidades da costa oeste do DRP, complementando os serviços atualmente existentes. Acrescenta ainda que, com a crescente integração entre Macau e Hengqin, além das ligações terrestres, também as ligações marítimas podem desempenhar um papel importante, facilitando a circulação entre ambas as cidades.

O Terminal Marítimo da Taipa situa-se próximo do Aeroporto Internacional de Macau e está ligado ao Metro Ligeiro, o que cria condições para desenvolver um sistema integrado de transporte marítimo–terrestre–aéreo, permitindo que terminal e aeroporto partilhem fluxos de passageiros. No entanto, Tong sublinha que a construção de uma base de clientes e de uma reputação sólida para infraestruturas de transporte não acontece de um dia para o outro: exige estudos de mercado profundos, segmentação de públicos e um trabalho contínuo, cujo sucesso dependerá da persistência.

Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News

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