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Digitalização e ‘e-commerce’ para salvar PME

Macau mantém uma recuperação económica “estável”, mas com sectores a recuperar “a ritmo relativamente lento”, reconheceu o Secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, destacando a digitalização como eixo central de apoio às PME. Porém, o economista Félix Pontes alerta que, face à concorrência de Hengqin, o Governo “deve aumentar o apoio financeiro” e criar um fundo de inovação para que as empresas locais possam competir no comércio eletrónico

Nelson Moura

Macau manteve “uma tendência de recuperação”, com o turismo integrado estável, indústrias emergentes a avançar de forma ordenada, sistema financeiro saudável, preços estáveis e desemprego em níveis relativamente baixos, explicou o Secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, durante o debate setorial das Linhas de Acção Governativa.

No entanto, “alguns sectores e bairros mantêm um ritmo relativamente lento” de recuperação, revelando desequilíbrios e insuficiências no desenvolvimento económico. Tai Kin Ip alertou ainda para os desafios estruturais que exigem o reforço da escala e da competitividade das indústrias emergentes.

O apoio às PME continua a ser um eixo estrutural da política económica. Tai Kin Ip destacou que 3.600 PME já receberam apoio na digitalização, enquanto 62 restaurantes foram acompanhados em processos de reconversão digital. Promoções como o Grande Prémio de Consumo Comunitário alcançaram “benefícios quatro vezes superiores ao esperado”, explicou o governante.

No entender do economista Félix Pontes, as PME, para além dos “problemas com que se defrontam com rendas altas e incontroláveis e elevada rotatividade dos seus trabalhadores”, sentem forte concorrência de empresas semelhantes de Zhuhai e de Hengqin, que “proporcionam serviços e produtos mais baratos, sendo a sua forma de operar muito mais avançada e flexível do que a das PME locais”.

Assim, estas, terão, inevitavelmente, de se adaptar aos novos tempos, sendo este o seu maior desafio, pelo que o Governo lhes deve manter o apoio financeiro, aliás, até deve aumentar o mesmo, para o que sugiro a constituição de um fundo específico na área da inovação para que as PME locais possam competir, em pé de igualdade, no comércio electrónico!”, explica ao PLATAFORMA.

O Governo recebeu 1.537 pedidos no âmbito de programas de bonificação de juros, envolvendo 3,34 mil milhões de patacas, ajudando as PME a investir e a transformar-se. O Secretário para a Economia e Finanças afirmou que a estratégia para o próximo ano inclui o reforço da promoção, da captação de clientes, da capacitação e do apoio à construção de marca, bem como a promoção do comércio eletrónico transfronteiriço e das vendas por transmissão em direto.

Rumo à diversificação económica

Tai Kin Ip reforçou que o aceleramento da diversificação adequada da economia é a tarefa fulcral da sua área, abrangendo vários sectores estruturantes.

No turismo e lazer integrados, o Governo irá consolidar os mercados emissores da Grande China, enquanto expande ativamente os mercados internacionais, sobretudo no Sudeste Asiático e no Nordeste Asiático. Será reforçada a promoção externa através das delegações económicas, comerciais, turísticas e culturais, bem como aprofundada a cooperação com grandes plataformas turísticas e de pagamento eletrónico, enriquecendo a oferta integrada do “turismo+” e elevando a qualidade dos serviços turísticos.

No sector do Jogo, o Governo continuará a supervisionar rigorosamente as concessionárias, assegurando o cumprimento dos investimentos no Jogo e fora dele, orientando-as para projetos com impacto socio-económico que reforcem a imagem de Macau e contribuam para a diversificação económica.

Quanto ao sector de “big health” e à medicina tradicional chinesa, o Governo pretende promover a investigação, o desenvolvimento e a modernização industrial, apoiar projetos de fabrico local e incentivar o registo e a comercialização de produtos. Esta internacionalização far-se-á, segundo as autoridades, sobretudo através da cooperação com países lusófonos.

No sector financeiro moderno, serão reforçadas as infraestruturas físicas e digitais que sustentam a inovação financeira, incluindo a promoção da Lei dos Fundos de Investimento no Exterior, a criação de novos incentivos fiscais competitivos, o desenvolvimento de mercados como o obrigacionista e a gestão de fortunas, a melhoria dos serviços transfronteiriços e o avanço da moeda digital local.

A tecnologia de ponta continuará a ser incentivada através da certificação e apoio a empresas tecnológicas, da captação de empresas internacionais, da promoção da cooperação entre universidades, indústria e centros de investigação, e do avanço do Centro Internacional da Indústria de Ciências e Tecnologias de Macau, bem como do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento.

No sector das convenções, exposições e comércio, o Governo pretende consolidar Macau como destino de referência, apoiando candidaturas a eventos internacionais de grande impacto e reforçando a integração destas atividades com a captação de investimentos e com a implementação de projetos comerciais.

Emprego para os jovens

Em resposta às questões dos deputados sobre o emprego local, o Secretário detalhou o trabalho já desenvolvido: “Este ano, apoiámos a transferência profissional de 8.700 pessoas, sendo 50% jovens até aos 34 anos”, destacando o impacto das medidas dirigidas às novas gerações.

Foram ainda organizados 1.600 cursos de certificação, muitos associados às indústrias “1+4”, reforçando as competências e a competitividade dos residentes. A nova plataforma integrada de formação, criada em abril, já ajudou 800 residentes, com 70 cursos disponíveis.

Com a transformação económica, a Plataforma Integrada de Formação Profissional é vista como uma ferramenta para aumentar a competitividade. No entanto, e no entender do deputado Lam Lon Wai, “muitos residentes, após completarem os cursos, ainda não conseguem aplicar o que aprenderam, o que reflete uma desconexão entre os cursos atuais e as necessidades do sector”, explica ao PLATAFORMA.

Quanto à gestão do mercado laboral, Tai Kin Ip referiu que o Governo tem reduzido gradualmente o número de trabalhadores não-residentes em setores como finanças e construção, libertando vagas para os residentes. Para Lam Lon Wai, os residentes, “esperam ver resultados concretos, quantificados e transparentes”, nomeadamente “quantos postos de trabalho serão disponibilizados, em que setores, que trabalhadores não-residentes podem ser substituídos e que cursos podem efetivamente aumentar os rendimentos dos trabalhadores locais”.

Tai Kin Ip sublinhou que “os jovens são os pilares do desenvolvimento económico a longo prazo” e em 2026, o Governo reforçará a formação, os estágios no Interior da China, as bolsas de emprego, os programas “Emprego + Formação” e o apoio ao empreendedorismo juvenil, em coordenação com instituições da Grande Baía e da Zona de Cooperação.

Hengqin constitui a peça-chave para o sucesso da almejada diversificação”, diz Félix Pontes. No entanto esta depende da “simplificação dos processos alfandegários, fiscais e de circulação de pessoas, devendo passar-se de declarações platónicas para ações reais e efetivas”. Por outro lado, alerta o economista, “Hengqin deve servir como complemento e suplemento para Macau e não como concorrente, como parece estar a ocorrer!”

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