O Grande Prémio de Macau, enquanto evento desportivo emblemático da cidade, já vai na sua 72.ª edição e tem atraído, ao longo dos anos, inúmeros turistas. A edição deste ano registou uma assistência acumulada de 116 mil pessoas, um aumento de quase 10% face ao ano anterior e um novo recorde dos últimos anos, gerando benefícios económicos significativos e contribuindo para reforçar a imagem de Macau como metrópole internacional.
Durante cada Grande Prémio, as autoridades disponibilizam diversas bancas de venda no local para que empresas ou organizações interessadas possam candidatar-se, permitindo-lhes comercializar produtos, alimentos e outros artigos, promovendo simultaneamente as suas marcas. Atualmente, estas bancas estão abertas tanto a comerciantes locais como não locais. Contudo, alguns comerciantes locais consideram que, sendo este um evento desportivo de grande relevância para Macau, as oportunidades de participação das empresas locais deveriam ser melhor protegidas, através da definição de uma proporção razoável na atribuição de bancas entre comerciantes locais e não locais.
No que diz respeito ao processo de candidatura e aprovação, nas zonas em que a procura excede a oferta, a atribuição das bancas é feita através de sorteio. No entanto, os resultados do sorteio só são anunciados cerca de uma semana antes do início do evento, deixando aos comerciantes pouco tempo para adquirir mercadorias, sobretudo produtos personalizados. Além disso, alguns artigos necessitam ser encomendados no estrangeiro, exigindo tempo de produção e transporte, o que afeta negativamente as operações comerciais. Os comerciantes esperam que as autoridades possam otimizar o processo de candidatura e anúncio das bancas em futuras edições, garantindo tempo suficiente para que os candidatos selecionados possam adquirir produtos e preparar a sua atividade.
Acresce que a renda das bancas varia entre 18.000 e 28.000 patacas. Com a economia ainda numa fase de recuperação, alguns comerciantes consideram estes valores um encargo pesado. As autoridades deveriam ter em conta as atuais condições económicas ao definir os preços das rendas. As micro, pequenas e médias empresas (MPME) são uma força essencial para o desenvolvimento social e económico. Paralelamente, a construção de uma “Cidade do Desporto” e o aproveitamento do efeito sinérgico do conceito “Desporto+” através de eventos desportivos de marca constituem uma orientação política importante do Governo. Assim, ao promover grandes eventos desportivos, deve ser dada maior atenção ao apoio à participação das MPME locais. Através de políticas de apoio, é possível reforçar o efeito “Desporto + Economia”, alcançando um desenvolvimento mutuamente benéfico para o desporto e para a economia.
A aceitação de candidaturas de comerciantes locais e não locais afeta, até certo ponto, a participação das MPME locais. Espera-se que o Governo esclareça se irá otimizar o processo de candidatura e atribuição de bancas do Grande Prémio e estabelecer quotas para comerciantes locais, de forma a apoiar o desenvolvimento das MPME. Além disso, nas zonas onde o número de candidaturas ultrapassa a capacidade disponível, é aplicado um sistema de sorteio. O principal problema reside no facto de os resultados só serem divulgados cerca de uma semana antes do início do evento, criando grandes dificuldades de abastecimento para os comerciantes, especialmente no caso de produtos personalizados que exigem longos prazos de produção. Para agravar a situação, alguns artigos têm de ser adquiridos internacionalmente, implicando períodos prolongados de produção e transporte, o que limita significativamente a capacidade de exploração comercial. Assim, o calendário de aprovação e anúncio deveria ser acelerado nas próximas edições, permitindo aos comerciantes selecionados tempo suficiente para adquirir mercadorias e garantir o normal funcionamento das suas operações.
Face à opinião pública que considera elevadas as rendas das bancas do Grande Prémio numa fase em que a economia ainda está em recuperação, defende-se que as autoridades deverão ponderar uma redução adequada das rendas na próxima edição, tendo em conta a realidade económica atual.
Aliança de Povo de Instituição de Macau