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Um fim de semana em que se respirou desporto

Dois jogos de pré-época entre os Brooklyn Nets e os Phoenix Suns trouxeram a Macau milhares de adeptos e lendas do basquetebol ao Venetian Macau, entre 10 e 12 de outubro. A Sands Cares e NBA Cares aproveitaram para desenvolver uma série de atividades relacionadas, e ainda houve uma conversa descontraída entre proprietários de equipas de futebol e basquetebol sobre expansão global

Guilherme Rego

Dia de jogo a 12 de outubro; a energia no Venetian Macau era impossível de ignorar. Desde o dia 9 que o imenso corredor ao redor do Venetian Arena é dominado pela atmosfera da National Basketball League (NBA), que esteve em Macau para dois jogos de preparação entre os Phoenix Suns e os Brooklyn Nets.

Antes de chegar ao NBA House, um enorme centro onde se respirava basquetebol, entre jogos, tecnologia, e espaços cénicos, os fãs passavam por ‘pop-ups’ de algumas das maiores marcas desportivas do mundo. Milhares concentravam-se nestas zonas, num ambiente de euforia e expectativa – horas antes do jogo.

Quando as portas para a Arena abriram, a multidão começou a fluir numa corrente humana. As bancadas encheram-se de t-shirts dos Phoenix Suns e dos Brooklyn Nets, faixas e outros adereços, pintando as bancadas de branco e azul. Com capacidade para catorze mil pessoas, a Arena estava praticamente cheia, e o barulho entoava a cada lance que a bola entrava no cesto.

Os pais querem que os filhos tenham boas notas e vão para a universidade. O desporto ensina trabalho em equipa e disciplina

Joe Tsai, copresidente executivo e fundador do Grupo Alibaba, e proprietário dos Brooklyn Nets (NBA) e das New York Liberty (WNBA)

O basquetebol, ali, era apenas o centro de um universo mais vasto. Cada intervalo e cada ‘timeout’ transformavam-se numa sucessão de performances: claques em coreografias milimétricas, mini-concertos de rap e R&B, brindes lançados para as bancadas, e até pequenos pára-quedas que faziam cair lembranças sobre a plateia. A música nunca parava; parecia ditar os ritmos de jogo e acrescentava à emoção que se fazia sentir. Foi uma celebração coletiva da cultura desportiva, em que o jogo era tão importante quanto a experiência que o envolvia.

Durante os três primeiros períodos, os Phoenix Suns pareciam conduzir o destino da partida, sempre em controlo do resultado. Os Brooklyn Nets estavam com dificuldades em penetrar na teia defensiva montada pelos seus adversários. Mas o último quarto trouxe a reviravolta que só o desporto consegue proporcionar. Os Brooklyn Nets, impulsionados pela energia da multidão e por uma defesa mais agressiva, reduziram distâncias e acabaram por vencer por 111 a 109, depois de uma série de jogadas decisivas que incendiaram o recinto.

Os segundos finais foram de pura tensão. Cada posse de bola parecia valer o jogo inteiro. Quando Tyrese Martin converteu dois lances livres a apenas 2,8 segundos do fim, o rugido coletivo da arena foi ensurdecedor. Foi uma vitória difícil, conquistada com suor e nervos de aço, mas que, no contexto, simbolizou algo maior: a fusão entre espetáculo, cultura e paixão que a NBA China Games trouxe a Macau.

No final, mais do que o resultado, o que ficou foi a sensação de ter assistido a um momento histórico. O basquetebol norte-americano regressou passados seis anos, e a cidade provou que sabe acolher.

Desporto faz parte da Educação”

O Parisian Macao Ballroom recebeu, no dia 12 de outubro, um ‘Fireside Chat’ que reuniu três nomes de peso da gestão desportiva: Joe Tsai, David Beckham e Patrick Dumont. A conversa, moderada pela lenda da NBA, Vince Carter, debruçou-se sobre como a propriedade desportiva está a alcançar comunidades globais.

Joe Tsai, copresidente executivo e fundador do Grupo Alibaba, e proprietário dos Brooklyn Nets (NBA) e das New York Liberty (WNBA), começou por recordar a sua entrada no mundo do basquetebol. “Em 2019 assumimos o controlo [dos Brooklyn Nets] e tivemos a possibilidade de comprar também as New York Liberty [WNBA], colocando as equipas masculinas e femininas sob o mesmo teto.” Apesar de os Nets ainda não terem alcançado o título da NBA, Tsai destacou o sucesso digital da marca: “As nossas redes sociais são das mais seguidas da NBA”, afirmou, atribuindo esse êxito ao mercado chinês.

Para Tsai, a China continua a ser um mercado de enorme potencial, mas que exige compreender o seu contexto cultural, sobretudo para fomentar talentos. “Os pais querem que os filhos tenham boas notas e vão para a universidade. O desporto ensina trabalho em equipa e disciplina”, disse, acrescentando que a estratégia é “mostrar que o desporto faz parte da educação”. Essa visão levou-o a criar a Asian University Basketball League (AUBL), uma liga universitária de basquetebol que procura integrar formação académica e excelência desportiva, oferecendo, segundo Tsai, “um valor de produção excecional”.

Há vinte anos, o desporto era um fenómeno local, vivido pelos adeptos da própria comunidade. Hoje, as redes sociais mudaram tudo; tornaram o desporto num fenómeno global

Patrick Dumont, presidente e diretor de Operações da Las Vegas Sands Corp. e proprietário dos Phoenix Suns

O empresário sublinhou ainda o papel da inovação tecnológica, afirmando que “o mercado chinês é muito avançado — em muitos aspetos, mais do que o americano”. Explicou que este mercado pode funcionar como laboratório, ao “experimentar novos formatos de criação de conteúdo” que, posteriormente, podem ser adaptados ao público norte-americano. Falou também sobre o futuro do entretenimento desportivo e da utilização de inteligência artificial pela NBA, através da recriação de momentos e jogadores históricos, juntando lendas de diferentes eras num mesmo jogo. No final, Tsai agradeceu a Wilfred Wong, vice-presidente da Sands China, e a Grant Chum, diretor executivo da Sands China, pelo “excelente trabalho” na organização dos NBA China Games em Macau, sublinhando o papel da cidade como novo polo do desporto internacional.

David Beckham, coproprietário do Inter Miami CF e do Salford City FC, partilhou a sua própria jornada até à propriedade de clubes, recordando que tudo começou com a sua transferência para o LA Galaxy. “Foi um compromisso não só com o clube, mas também com a Major League Soccer. Demorou muito tempo a lançar o Inter Miami, porque havia desafios na cidade, entre os adeptos e em vários outros fatores”, explicou. Hoje, o Inter Miami é uma das marcas mais reconhecidas do futebol global, algo que Beckham atribui à força das redes sociais e à escolha dos jogadores certos. “Miami é uma cidade global, e quando contratas jogadores como Lionel Messi, o mundo inteiro olha para ti”, afirmou.

Por sua vez, Patrick Dumont, presidente e diretor de Operações da Las Vegas Sands Corp., destacou a transformação que as redes sociais provocaram no universo desportivo. “Há vinte anos, o desporto era um fenómeno local, vivido pelos adeptos da própria comunidade. Hoje, as redes sociais mudaram tudo; tornaram o desporto num fenómeno global”, disse. Segundo Dumont, essa mudança é visível também em Macau, cuja presença digital “acelerou a experiência” e projetou a cidade para novas oportunidades de acolher eventos internacionais. Acrescentou ainda que gostaria de trazer a WNBA para Macau, novamente em parceria com Joe Tsai.

No final, a conversa entre os três gestores deixou uma mensagem comum: a propriedade desportiva já não se resume a vencer competições, mas sim a construir identidade, cultura e comunidade, numa era em que a tecnologia e as redes sociais estão a redefinir a forma como o público vive o desporto.

Atividades Comunitárias Paralelas

Durante a semana dos NBA China Games em Macau, a parceria entre Sands Cares e NBA Cares levou o basquetebol à comunidade local, com uma série de iniciativas práticas. A começar pelas visitas escolares para intercâmbio desportivo, onde atletas e treinadores partilharam técnicas e valores com alunos locais, passando pela cerimónia de abertura da ‘Community Impact Week’ e pela ação de preparação de refeições destinadas a instituições sociais de Macau. O ‘Community Basketball Carnival’ encheu o Venetian com jogos, desafios e atividades abertas a famílias e crianças, enquanto a clínica “Her Time to Play” incentivou jovens raparigas a praticar basquetebol com o apoio direto de treinadoras e jogadoras da WNBA.

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