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Perspetivas positivas para a reforma na Grande Baía apesar do interesse reduzido

Embora o interesse dos residentes locais em desfrutar da reforma na Grande Baía seja ainda reduzido devido a preocupações com laços familiares e a continuidade dos benefícios médicos, a Associação de Segurança Social de Macau sublinha que a tendência para a “cidade integrada” na Grande Baía e a mudança de mentalidade das novas gerações estão gradualmente a impulsionar a procura por este modelo, com perspectivas otimistas para o futuro

Viviana Chan

O recente inquérito conduzido pela Associação de Segurança Social de Macau, revelou que apenas cerca de 18% dos inquiridos com mais de 45 anos expressaram vontade de experimentar a reforma do outro lado da fronteira. Apesar da percentagem reduzida, o presidente da associação, Chan Kin San, sublinha ao PLATAFORMA que tal não significa “uma rejeição total por parte dos residentes de Macau”. Pelo contrário, considera que a “tendência está a crescer progressivamente”.

A nível global, a escolha de se aposentar no local de origem é geralmente a preferida, sendo natural que os residentes de Macau queiram permanecer na região para desfrutar da sua reforma. No entanto, a ideia de gozar a reforma no Interior da China não é recente: desde a década de 1980, idosos de Hong Kong e Macau optaram por se aposentar no Interior da China, atraídos pelos custos de vida mais baixos, explica Chan.

Com a transferência de Macau para a China e o enquadramento da política “Um País, Dois Sistemas”, aliado ao conceito da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a mobilidade de pessoas e a integração dos benefícios sociais têm-se acelerado, reforçando esta tendência.

Apesar do custo de vida mais baixo no Interior da China e da crescente conveniência dos transportes, para muitos idosos locais, o inquérito indica que a continuidade das relações familiares e das redes sociais permanece uma preocupação central.

Mafalda (nome fictício), com mais de 70 anos, mudou-se recentemente para uma habitação social e iniciou a sua reforma logo depois. Durante o período de espera pela habitação, ponderou a reforma no Interior da China, mas não chegou a concretizar esse plano. “Vivi tanto tempo em Macau, onde tudo é conveniente: comer, fazer compras, e agora Macau oferece muitos benefícios para os seus residentes. Por isso, prefiro ficar aqui”, afirma. Apesar da sua filha única viver no estrangeiro, Mafalda não se sente sozinha, participando ativamente em atividades comunitárias locais.

Mafalda frequenta três vezes por semana aulas de ‘Qigong’ e inscreveu-se em cursos oferecidos pelo Governo, o que reforça a sua decisão de permanecer em Macau. Para ela, adaptar-se a um novo ambiente e estabelecer novas amizades no Interior da China seria demasiado complicado, mesmo sem barreiras linguísticas ou culturais.

Por outro lado, Becky Chau, de 56 anos, transferiu a sua vida para Tanzhou, em Zhongshan, tendo a perspetiva de, mais tarde, reformar-se lá. Em 2015, adquiriu uma propriedade na região e, após a pandemia, mudou-se permanentemente com o marido, continuando a deslocar-se diariamente para trabalhar em Macau. A viagem de Tanzhou a Macau demora apenas 15 minutos de carro, permitindo a Becky manter o seu círculo social enquanto beneficia de um custo de vida mais baixo.

Chan Kin San reconhece que a crescente conveniência dos transportes e dos procedimentos alfandegários na Grande Baía está a reduzir as preocupações emocionais associadas a gozar a reforma na Grande Baía.

O especialista, e também académico da Universidade de Macau, destaca que os futuros idosos, atualmente na faixa dos 40 e 50 anos, têm uma mentalidade diferente da geração anterior. Enquanto os mais velhos valorizam a proximidade com familiares e amigos, a nova geração dá mais liberdade aos filhos, sem exigir uma vida em conjunto. Chan prevê que, à medida que mais jovens de Macau se estabeleçam no Interior da China, no contexto de vários incentivos do Governo, a procura por uma reforma transfronteiriça aumentará.

Desafios na saúde e segurança social

Além das questões dos laços familiares, a integração de cuidados médicos e de segurança social é uma preocupação significativa. A possibilidade de continuar a receber cuidados médicos em locais familiares, com médicos de confiança, é uma prioridade para os residentes.

Para a maioria dos idosos de Macau, os cuidados médicos são uma questão incontornável. Em Macau, os idosos com 65 anos ou mais beneficiam de serviços médicos gratuitos, mas no Interior da China esses serviços têm custos. Chan Kin San sublinha que esta é uma das principais barreiras para decidir por uma reforma no Interior da China, uma vez que os idosos locais não estão integrados no sistema de segurança social do Interior, o que aumenta os custos reais da reforma fora de Macau.

Além disso, os reformados também enfrentam incertezas sobre a portabilidade dos benefícios sociais e pensões. Chan Kin San explica que uma integração eficaz a nível institucional é crucial para o desenvolvimento deste modelo. Citando o exemplo de Hong Kong, onde o programa “Vale de Cuidados Comunitários para Idosos” adota um modelo de distribuição de vales de serviços de saúde, permitindo a comercialização de serviços de cuidados e a sua extensão às cidades da Grande Baía. Macau poderia adotar uma “abordagem semelhante, permitindo aos idosos escolher fornecedores de serviços qualificados no interior da China”, diz Chan. Este modelo de subsídios diretos aos idosos, em vez de para as instituições, oferece maior flexibilidade e é mais facilmente aceite pela sociedade.

Macau enfrenta uma tendência irreversível de envelhecimento populacional, com a pressão sobre os recursos humanos para serviços de idosos a intensificar-se. “A reforma no exterior pode aliviar este problema e impulsionar o desenvolvimento de indústrias relacionadas”, conclui Chan Kin San.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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